Brasil quer criar um Simples Internacional

A proposta deve faciliar a exportação de micro e pequenas empresas. O início seria o Mercosul

Quem tem micro e pequenas empresas e nunca pensou em exportar já pode começar a se preparar para ir além das fronteiras do Brasil. Esse é o desejo do presidente do Serviço de Apoio Brasileiro às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Guilherme Afif Domingos, juntamente com o Itamaraty. Juntos elaboram o projeto para incentivar exportações dos pequenos negócios ainda neste ano.

Além de ampliar o número de empresas que exportam, esse “Simples Internacional” permitirá redução de custos e de tempo nas operações comerciais. A ideia inicial é que as brasileiras possam fazer negócios com outros países do Mercosul, em uma moeda comum para todos os membros do bloco, sem o dólar como lastro, pois a moeda norte-americana dificultaria algumas transações comerciais entre empresas de pequeno porte. Se houver sucesso, o alvo seguinte será a África.

A primeira parceria, ao que tudo indica, deverá ser feita com a Argentina, país com o qual o Itamaraty tem mantido um diálogo mais amplo. “A ideia é começar com a celebração de acordos bilaterais, que dispensem reciprocidade no tratamento favorecido. Pretendemos começar pela Argentina. Já tive conversas com o embaixador daquele país, e ele achou o projeto interessante”, comentou Afif.

Esse novo conceito de Simples facilitaria os procedimentos necessários para a exportação, burocráticos, tarifários, logísticos e os de meios de pagamentos. “O Simples Internacional irá permitir que se coloque em prática a determinação prevista na Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, que assegura acesso dos pequenos negócios ao mercado externo”, completou o presidente do Sebrae.

Há que veja, porém, esse novo caminho com certa cautela. É o caso do presidente da Federação das Associações de Microempresas e Empresas Pequenas Porte (Femicro-PE), José Tarcísio da Silva, que acredita que uma série de questões podem atrapalhar o Simples Internacional. “A ideia é positiva, colocar as pequenas empresas para exportar é importante para economia. Temos que lembrar, entretanto, que essas empresas não estão preparadas para um mercado que quer qualidade, bons produtos e é bastante exigente”, afirmou. Segundo ele, das 318 mil empresas pernambucanas, apenas 1% estaria preparada para exportar neste momento. “Antes de pensar em exportação, é preciso qualificar, capacitar e investir nos empresários brasileiros. Se atualmente estamos fechando várias empresas no Brasil, como poderemos pensar em exportação?”, questionou.

Já para o presidente do Sebrae, mesmo que os pequenos negócios representem pouco entra as exportações, significam 95% do universo de empresas no País. E com o Simples Nacional, poderiam gerar novos empregos. “Todas as empresas que faturam até R$ 3,6 milhões por mês, ou seja, as que são consideradas por lei de micro e pequeno porte, poderão se beneficiar”, defendeu Afif.

Fonte: http://www.folhape.com.br/

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