5 itens essenciais para ter um negócio sempre no azul

As finanças assustam até mesmo os empreendedores mais destemidos. E não é para menos: a falta de capital é, disparada, a maior razão de mortalidade em negócios com até dois anos de vida.

Há duas razões para esse medo da matemática. A primeira é uma aversão causada pelo preconceito com a disciplina desde a escola, diz Ricardo Couto, professor de Finanças do Ibmec/MG. “Os empreendedores já pensam que é difícil, mesmo sem haver tentado entender ainda. Na verdade, todo mundo consegue entender nem que seja um pouco das finanças empresariais, porque já tem suas próprias finanças como exemplo.”

O segundo motivo para a dificuldade com os números é a preocupação com outros aspectos da empresa. “Geralmente, o empreendedor se preocupa muito com o consumidor, com oferecer o melhor produto ou serviço, e pouco com sua própria empresa. As finanças acabam ficando por último nas tarefas do dia ou para o fim de semana, e isso é algo que ele com certeza precisa olhar mais”, afirma Vitor Torres, CEO da startup Contabilizei. A empresa, inclusive, disponibilizou um e-book sobre como manter seu comércio nos trilhos.

Porém, você não tem que fazer parte da estatística de empresas que quebram pelo descuido nas finanças. Mesmo que você ainda não tenha um negócio próprio, é possível arregaçar as mangas e entender os conceitos indispensáveis para manter-se no azul. Se você já tem uma empresa, essa tarefa é ainda mais urgente!

Confira o que significam cinco expressões de ouro no mundo das finanças empresariais e marque aquelas que você ainda não conhece – mas vai conhecer:

1. Fluxo de caixa

O fluxo de caixa é o que fica na conta da sua empresa após as entradas e saídas de dinheiro. Dependendo da complexidade do negócio, essa avaliação pode ser feita por dia, por semana ou por mês. Para uma empresa em estágio inicial, uma planilha do Excel costuma ser suficiente.

Couto faz uma divisão importante: o fluxo de caixa é relacionado à parte financeira da empresa, e não à parte contábil. “Por exemplo, a empresa pode já ter comprado matéria-prima, vendido seu produto manufaturado e entregado ao cliente. Enquanto a parte contábil está acusando lucro, a receita ainda não chegou efetivamente na empresa, porque seu produto foi vendido à prazo. Ou seja, há lucro contábil e, ao mesmo tempo, um período deficitário no fluxo de caixa”. Por isso, atenção redobrada: não ache que concretizar uma venda já é mais dinheiro no fluxo de caixa. Espere o valor realmente entrar para contá-lo.

Por que é importante? “Com isso, ele consegue planejar de quanto dinheiro ele precisa nos próximos dias. Por exemplo, ele vê que uma conta será debitada na próxima semana e analisa quanto de caixa possui hoje. Fazer essa previsão é fundamental para não quebrar”, explica Torres, do Contabilizei.

2. Capital de giro

Por definição, o capital de giro é um dinheiro que fica de “folga” na empresa. Parece inofensivo, e esse é o problema: muitos empreendedores ignoram sua necessidade e isso faz com que o capital de giro seja o principal causador das mortes citadas no começo desta matéria.

Por que é importante? Porque o capital de giro é o dinheiro que você guarda para que o fluxo de caixa da sua empresa nunca fique no negativo.

“O empreendedor precisa ter um capital de giro para pagar contas futuras. A empresa morre porque o empresário quer sacar todo a folga que ficou na empresa, sem entender uma conta para pagar pode surgir na próxima semana”, diz Torres. Tanto ele quanto Couto concordam que, nessa situação, o empreendedora procura uma mesma solução tapa-buraco: pegar um empréstimo no banco e, assim, entrar em uma bola de neve de juros.

“O capital de giro é o dinheiro que você tem para honrar os pagamentos do dia a dia. Isso faz com que você não tenha que recorrer a essas fontes de recursos imediatas, que acabam saindo caro”, explica o docente do Ibmec/MG.

Para evitar essa atitude, Torres recomenda ser pessimista na hora de calcular quanto capital de giro você precisa no seu negócio: sempre ache que menos dinheiro virá das vendas da semana. Assim, você guarda mais recursos para despesas de emergência e não recorre à soluções carregadas de taxas, piorando o quadro financeiro do empreendimento.

3. Prazo médio de pagamento e de recebimentos

O “prazo médio de pagamentos” é em quanto tempo você terá de pagar seu fornecedor: o intervalo médio de tempo entre a emissão do pedido feito por você e o seu pagamento ao parceiro. Já o “prazo médio de recebimento” é quanto tempo você esperará para que seu cliente lhe pague: o intervalo médio de tempo entre a emissão do pedido que seu cliente fez e o pagamento dele para seu negócio.

Por que é importante? É importante olhar esses dois prazos médios porque eles podem indicar um descasamento dentro do seu fluxo de caixa, afirma Couto. “É por isso que você precisa projetar seu fluxo de caixa, fazendo as contas do dia a dia e vendo se você irá conseguir honrar os compromissos que você assume. Caso contrário, você ficará inadimplente.”

Segundo Torres, do Contabilizei, o ideal é conseguir um prazo de recebimento menor do que seu prazo de pagamento. Ou seja: receber antes do seu cliente do que realizar o pagamento ao seu fornecedor. Caso contrário, seu fluxo de caixa ficará no vermelho e você terá de recorrer ao capital de giro.

4. Giro de estoque

O giro de estoque (ou prazo médio de estoque) é o tempo que leva para uma certa mercadoria ser vendida, contando a partir do momento que você a compra. Cada produto possui um giro diferente e variável de acordo com as condições do mercado e com as estratégias da própria empresa. Dar descontos, por exemplo, reduz o prazo médio de estoque de uma mercadoria.

Por que é importante? Saber o giro dos seus produtos também é importante para controlar o fluxo de caixa, explica Couto, do Ibmec/MG. Por exemplo, você poderá saber quanto dinheiro ganhará no curto, médio e longo prazo, olhando para o estoque da sua loja e o tempo de cada produto. Sabendo disso, também poderá concluir quanto capital de giro terá de guardar em cada época: nas cheias de giro rápido e nas cheias de um giro lento, que pedem mais recursos para sustentar o orçamento enquanto o pagamento não vem.

5. Custo fixo

Os custos fixos são aqueles que estarão todos os meses na sua planilha de despesas. Além de aluguel, energia, internet, telefone e contador, estão os impostos. Caso seu negócio esteja no começo, ele provavelmente se encaixa no Simples Nacional: um regime simplificado de tributação, onde você paga um imposto unificado por mês – o chamado Documento de Arrecadação Simplificado (DAS).

Por que é importante? Saber quais custos fixos você terá é essencial para montar o orçamento mensal do seu negócio. Sabendo se você se encaixa no Simples, também é possível reduzir a quantidade de impostos pagos – sem falar na burocracia.

Se você vai inaugurar sua empresa, leve em consideração taxas iniciais de abertura do negócio, alerta Torres. Por exemplo, é preciso pagar taxas para abrir a empresa (na Junta Comercial), taxas para o alvará de funcionamento do local da empresa (na Prefeitura) e taxas para verificar as condições de segurança do local (nos Bombeiros). O valor de toda essa operação costuma ficar entre 300 e 1 mil reais, segundo o Contabilizei.

Fonte: Exame.com.

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