Novos horizontes da contabilidade

Um “mal necessário” nas empresas, vinculado à burocracia e à papelada, que evoluiu para a figura do profissional criativo e versátil, indispensável para o sucesso das organizações.

Se no passado a atividade contábil era vista como secundária, apenas associada ao pagamento de impostos, hoje o contador vive seu melhor momento: cada vez mais, suas habilidades e conhecimentos técnicos lhe permitem interpretar informações empresariais de modo estratégico e utilizá-las como instrumento de gestão orientada para a excelência.

Tanto melhor para os 527.374 profissionais que atuam na área – 273.100 na região Sudeste e 147.923 somente na capital paulista -, dos quais se exige hoje uma postura “plural, multidisciplinar, flexível a mudanças, ciente da necessidade de atualização constante, além de conhecimentos de várias áreas”, nas palavras de Sérgio Approbato Machado Júnior, presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas no Estado de São Paulo (Sescon-SP/Aescon-SP).

Segundo ele, a valorização da atividade foi desencadeada por uma soma de fatores. Em primeiro lugar, o cruzamento eletrônico de informações, instituído pelo governo através do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), que passou a exigir mais cuidado com os dados e com o relacionamento com a Receita Federal. “Como o contador é quem faz o elo entre o Fisco e o contribuinte, sua responsabilidade aumentou muito, não somente em virtude da qualidade na prestação de contas, mas também por esta característica de instrumento de gestão e suporte à tomada de decisão que a contabilidade tem”, explica Approbato Júnior.

Além dessa maior sofisticação fiscal, que exige consistência dos dados corporativos, outro aspecto destacou-se em função da convergência às normas internacionais de contabilidade, no contexto da globalização: a profissionalização das empresas associada à inteligência fiscal. “O contador moderno precisa desenvolver uma visão global para compreender o cenário político, econômico e social e tomar, dessa forma, providências baseadas em aspectos reais”, argumenta o presidente do Sescon-SP.

Mas para que o antigo “darfista”, como o profissional de contabilidade era chamado, em alusão ao Darf (Documento de Arrecadação de Receitas Federais), se tornasse “um verdadeiro assessor e consultor estratégico, identificando oportunidades e prevenindo erros que geram prejuízos”, também foi preciso que ele desenvolvesse familiaridade com a tecnologia da informação, segundo Claudio Filippi, presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRC-SP).

De fato, em nenhuma outra área, como a das ciências contábeis, registrou-se tamanha evolução dos sistemas de informação, especialmente depois do advento do Sped. “A contabilidade e a tecnologia estão hoje intrinsecamente relacionadas e a profissão foi totalmente estruturada em torno da tecnologia da informação para permitir a adequação ao controle e gestão dos dados fiscais e, consequentemente, melhor qualidade dos serviços prestados”, argumenta Approbato Júnior.

 

Fonte: DCI

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