Confira o impacto do aumento do ICMS no RS no bolso do consumidor

O governo do Rio Grande do Sul pretende enviar nos próximos dias à Assembleia Legislativa um pacote de projetos que prevê aumento de impostos estaduais. É uma das medidas que o Palácio Piratini propõe para enfrentar a crise econômica no estado. Mas quem vai pagar a conta é a população, que terá de pagar a mais por diversos produtos.

De acordo com a proposta do Palácio Piratini, o projeto prevê o aumento da alíquota básica do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de 17% para 18%, além do aumento de 25% para 30% do imposto sobre gasolina, álcool, telecomunicações e energia elétrica.

O economista Leandro de Lemos, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), calculou o impacto no bolso do consumidor em algumas despesas. Quem gasta hoje R$ 200 com conta de luz, com aumento do ICMS vai passar a gastar R$ 214,28. Ou seja, a conta vai ficar 7,14% mais cara.

O mesmo aumento vai acontecer na conta de telefone. Se você gastava R$ 100, vai passar a gastar R$ 107,14. Isso sem contar os tributos federais, como o PIS e o Cofins.

Além disso, com o aumento da alíquota básica do ICMS de 17% para 18%, os produtos no comércio, por exemplo, poderiam ter um aumento no preço final de até 3%. Se isso acontecer, o orçamento das famílias, que já anda apertado, ficaria ainda pior, alertam os economistas.

“Levando em consideração que, normalmente, o trabalhador tem aumento uma vez por ano e apenas a equiparação da inflação, o que está  acontecendo é o aumento de preços e agora, com aumento de impostos, isso é superior à inflação e vai comprometer, sem dúvida, o orçamento. Vai ficar mais difícil. Se 2015 está difícil, 2016 ficará mais ainda”, diz Lemos.

Ele também faz um alerta pra quem está endividado. “As pessoas podem ter um problema ainda maior do orçamento, que pode levar ao não pagamento de algumas coisas e, por consequência, ao endividamento. E isso é muito ruim porque as taxas de juros estão aumentando. Isso vai trazer consequências muito mais graves para o bolso do cidadão”.

Os empresários já começaram a reagir ao pacote de aumento de impostos do governo Sartori. A Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV) diz que é contra e que isso vai prejudicar o consumo, podendo até reduzir a arrecadação.

Nas ruas, a opinião da população não é diferente. “Pago os meus impostos em dia e não vejo ganho para a população. Acho que a agente paga muito e ganha pouco”, reclama o corretor de imóveis Cristiano Dias.

A bancada do PMBD, mesmo partido do governador Sartori, já garantiu que vai apoiar os projetos de aumento de impostos, mas a oposição é contra. Caso seja aprovado na Assembleia Legislativa, o aumento de impostos estaduais deve entrar em vigor apenas em 2016. Com isso, o governo gaúcho espera arrecadar R$ 2 bilhões a mais por ano.

 

Fonte: G1

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