Contabilidade: o poder que ela tem e que ainda não foi devidamente explorado no Brasil

A Contabilidade tem um poder. E qual é esse poder? O poder da informação! Sim, a informação. As Normas Brasileiras de Contabilidade, alinhadas às Normas Internacionais afirmam que o objetivo da contabilidade é prestar informações úteis aos usuários para a tomada de decisões.

Informações úteis, vou exemplificar: qual é a principal fonte de informação financeira formal da Petrobrás? A resposta é prontamente respondida por qualquer aluno do primeiro semestre de um curso de Ciências Contábeis: Demonstrações Financeiras.

Prezados leitores, vocês conseguem identificar uma faceta do poder da Contabilidade? As pessoas realmente tomam decisões com base em informações contábeis. O mercado bancário e de crédito é fiel usuário da informação contábil. Sigam o raciocínio: as Instituições Financeiras são as que têm apresentado maiores índices de lucratividade desde o início do século XXI no Brasil; se elas trabalham com crédito então obter informações contábeis é parte “essencial” das atividades destas Instituições; logo bancos sem Contabilidade ficam vulneráveis operacionalmente.

Isso é realmente motivador! Não falo aqui algo que vocês já não saibam, por isso vou mostrar um contraponto.

Por que é recorrente as reclamações legítimas de nossa classe quanto à valorização profissional?

Notem o argumento que utilizo. Estamos fora de foco. Despendemos preciosas horas em atividades dos processos “estendidos de administração tributária”. Isso também não é novidade: “trabalhamos para o Fisco”. Não reclamo disso, pois trabalho com muito orgulho nas atividades fiscais e tributárias.

O ponto central do argumento lanço agora: nossa formação acadêmica pouco se dedica às disciplinas tributárias. Examinem as grades curriculares das Universidades e vejam a carga horária dedicada às disciplinas relacionadas aos tributos; poucas horas. Sabem, dou graças por isso!

Para que nossa profissão alce o patamar que desejamos devemos ser competentes em análises de custos, formação de preço de venda e produção de análises gerenciais. As grades das Universidades são focadas nesse conteúdo programático, por orientação do Ministério da Educação, e enfatizam disciplinas ligadas às áreas gerencias.

Vocês conhecem o regime de competência? Sim, nós quase respiramos isso. Mas vale lembrar que o regime ou princípio da competência abarca confronto entre receitas e despesas; ora, dada a receita confronta-se a despesas correspondente. Despesa em sentido amplo significa (despesa + custo), conforme lição do ilustre professor Eliseu Martins. Para encerrar uma demonstração financeira devemos ter excelentes conhecimentos de custos, que é da área gerencial.

Por derradeiro e para o arrepio daqueles que estão postulando o exercício da profissão contábil lembro que devem prestar o Exame de Suficiência, de competência do Conselho Federal de Contabilidade; o domínio das disciplinas gerenciais é garantia da obtenção de êxito neste certame.

Por último lanço um desafio, por amar os livros e saber que neles há conhecimento e progresso: adquiram livros de custos, contabilidade gerencial ou controladoria; tenham o hábito de lê-los mesmo não militando nestas áreas. Fortaleça sua base de conhecimentos e tenho certeza que a valoração de nossa classe será aperfeiçoada em bases sólidas.

 

Fonte: Contábeis

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