Financiamentos têm queda de 14% na região

A demanda por financiamentos de veículos no Grande ABC encolheu 14% no acumulado do quadrimestre e atingiu patamar superior à média nacional, que não ultrapassou a casa dos 7,5% de queda no número de operações.

Os quatro meses foram o suficiente para que 15.866 carros novos fossem adquiridos por meio da operação financeira. Entre janeiro e abril de 2013, o registro foi de 18.593 unidades.

No País, o quadrimestre teve 1,008 milhão de operações para a aquisição de veículos. No ano passado, em igual espaço de tempo, foram 1,087 milhão.

Os dados são da Cetip, entidade que opera o SNG (Sistema Nacional de Gravames), base de informações das instituições financeiras referentes a operações de crédito com veículos em todo o Brasil.

Vários fatores contribuem para o resultado e mostram que, na prática, o cenário no mercado de veículos na região está pouco menos aquecido do que no País. Um deles é o endividamento, como já evidenciou o coordenador do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, Sandro Maskio. Para ele, após os estímulos ao consumo do ano passado, como por exemplo o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) mais baixo para as montadoras, que repassaram o desconto no preço dos veículos, estimularam a compra de carros zero-quilômetro. Sobraram as parcelas, portanto, menor capacidade de nova aquisição de um carro zero-quilômetro.

Segundo dados do BC (Banco Central), o endividamento das famílias em relação à renda dos últimos 12 meses está na casa dos 45% desde setembro. Este percentual é o maior patamar da série histórica, iniciada em janeiro de 2005 com 18,39%.

O primeiro quadrimestre, que sazonalmente é um período crítico de contas, como destaca o professor de Finanças da USP-RP (Universidade de São Paulo – Campus Ribeirão Preto) Fabiano Guasti Lima, somado ao maior endividamento também contribuiu para o menor potencial de consumo dos moradores da região.

Ele se refere a tributos e gastos como o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), as matrículas de cursos e Educação e o material escolar.

O diretor da ADK Consultoria Automotiva, Paulo Roberto Garbossa, lembra que as financeiras, como também os bancos, aumentaram a restrição do crédito para aquisição de veículos. Isso porque, justamente com o endividamento em alta, as instituições fazem a análise de capacidade de liquidação da operação e acabam liberando crédito apenas para aqueles que são vistos com menor risco de calotes.

Para explicar um pouco mais objetivamente como a restrição dos financiamentos de veículos tem ocorrido, o presidente do Sincodiv-SP (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado de São Paulo), Octavio Leite Vallejo, garante que entradas de 50% do valor do veículo são o principal item para aprovação das instituições financeiras. Porém, sinais monetários abaixo deste percentual vão exigir análise de risco de crédito do interessado, o que pode complicar a liberação, caso ele apresente sinal de possível complicação no futuro para pagar as parcelas.

A preocupação com a manutenção do emprego, principalmente na indústria, também é um dos desestímulos para a contratação de financiamentos de veículos. Ainda mais na região, em que as montadoras, tanto de caminhões como de automóveis, têm anunciado PDVs (Programas de Demissões Voluntárias), licenças remuneradas e suspensão temporária de contrato de trabalho.

 

 

Fonte: Diário do Grande ABC

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