Governo posterga, mas insiste em manter aumento de impostos

Após reunião com representantes do setor de bebidas, bares e restaurantes, realizada no dia 13 de maio, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que o aumento do imposto incidente sobre as chamadas bebidas frias foi adiado por três meses. Segundo ele, a elevação não ocorrerá de uma única vez, mas será feita de forma “escalonada” (parcelada).

Com isso, cervejas, refrigerantes, refrescos, isotônicos e energéticos terão seus preços reajustados somente a partir de setembro. O plano inicial do governo era subir a tributação a partir de junho.
Segundo o ministro da Fazenda, há uma preocupação do governo com a inflação e, também, em manter os preços das bebidas sem aumento durante a Copa do Mundo, que tem início em meados de junho. “Sem dúvida, temos preocupação que a inflação permaneça sob controle e esse setor pode dar uma contribuição importante.
Então, fizemos aqui um pacto que não haveria aumentos de preços durante a Copa e, de preferência também, depois da Copa. Todos os setores concordaram. O setor vai também postergar, não vai fazer aumento. Será uma Copa sem aumento de bebidas”, afirmou Mantega.
O presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci Junior, que participou do encontro com o ministro da Fazenda, disse que o adiamento do aumento de tributos também foi motivado por possíveis demissões que poderiam acontecer.
“O governo se sensibilizou não só por causa da Copa, mas por causa da expectativa de 200 mil empregados demitidos [após a Copa do Mundo]. A ideia é que o reajuste aconteça a partir de setembro e de forma escalonada”, disse Solmucci. Segundo ele, a alta da tributação em junho, da forma como estava planejada anteriormente, reduziria o faturamento do setor de bares e restaurantes de 10% a 12%.
A Associação Paulista de Supermercados (APAS) também vê com preocupação a futura elevação de impostos para bebidas frias, uma vez que implicaria na elevação dos preços finais ao consumidor, cabendo ao empresário supermercadista o desafio de manter os negócios com o repasse dos preços. “O setor e, principalmente, o consumidor não quer mais aumento de impostos em nenhuma categoria de produtos”, afirmou o presidente da entidade, João Galassi.
Aumento do tributo
No fim de abril, a Receita Federal informou que o aumento nos tributos sobre as bebidas frias seria de 2,25% a partir de junho – o que deveria gerar um aumento da arrecadação de mais de R$ 2 bilhões pelo governo federal.
Ao anunciar a alta dos tributos sobre as bebidas frias no mês passado, o secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto, afirmou que a decisão era “eminentemente técnica” e servia para “reequilibrar a base de cálculo dos tributos cobrados sobre esses produtos”. A última revisão dessa tabela havia ocorrido em maio de 2012.
Sobre a APAS– A Associação Paulista de Supermercados representa o setor supermercadista no estado de São Paulo e busca integrar toda a cadeia de abastecimento. A entidade conta com 1,2 mil associados, que somam 2,8 mil lojas.
Fonte: Segs
banner_BPO_Fiscal
Posted in: