NFC-e deve beneficiar empresários e contribuintes

Nos mesmos moldes da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), obriga- tória na operação entre pessoas jurídicas desde 2008, a Nota Fiscal Eletrônica ao Consumidor (NFC-e) já começou a ser testada em alguns estados do País e tem o objetivo de aumentar a trans- parência e combater a sonegação fiscal. No Rio Grande do Sul, o programa já está em fase de implantação e os estabelecimen- tos que quiserem aderir podem solicitar sua inclusão junto à Secretaria da Fazenda (Sefaz).

O presidente da NF-e do Brasil, Marco Antonio Zanini, destaca que um dos grandes benefícios para o governo é poder controlar, em tempo real, as ope- rações das empresas varejistas, diminuindo, assim, as fraudes. Para Zanini, as inúmeras obri- gatoriedades fiscais devem gerar maiores investimentos na conta- bilidade empresarial, o que se reflete na rotina de trabalho dos contadores. “Acredito que quem não inovar no modo de trabalhar na área fiscal, tanto no escritório de contabilidade quanto na área de contabilidade interna da empresa, vai aumentar o risco operacional, por fazer errado e incompleto”, destaca.


JC Contabilidade – A im- plantação da NFC-e deve trazer benefícios diretos aos consumidores? Marco Antonio Zanini – O maior benefício é a transparên- cia do processo de venda. Ainda hoje, quando o consumidor adquire alguma mercadoria, ao final dessa compra, é emitida uma nota fiscal sobre o produto. Porém, se o consumidor quiser saber se aquele estabelecimento está agindo legalmente sobre os seus impostos e tributos, ele não consegue ter acesso a essas informações. Com a implantação da NFC-e, os dados da compra serão transmitidos on-line para a Secretaria da Fazenda do Estado, no momento em que o pagamento for efetuado, coibin- do a sonegação e garantindo a transparência no cumprimento das obrigações fiscais e tributá- rias das empresas.

Contabilidade – Que van- tagens e desafios são lan- çados ao governo ao poder controlar as operações das empresas varejistas?

Zanini – O maior desafio do governo é tecnológico. É preciso utilizar bem a tecnologia na recepção dessas informações e, depois, no tratamento delas. O Brasil tem milhões de estabele- cimentos e, a partir do momento que o projeto da NFC-e estiver na rua, 100% deles terão que emitir NFC-e deve beneficiar empresários e contribuintes É preciso adotar a tecnologia como ferramenta de trabalho, diz Zanini

NFC-e dos produtos disponibilizados em tempo real. Vale ressal- tar, também, os obstáculos que cada estado deverá enfrentar para se adequar ao sistema. Já a principal vantagem, do ponto de vista do governo, é a visão total das transações de forma on-line, além da possibilidade do cruzamento entre as infor- mações de vendas, faturamento das empresas e recolhimento de imposto. O controle passa a ser minucioso.

Contabilidade – A Sefaz gaúcha está preparada para disponibilizar todas as informações em seu site?

Zanini – A Sefaz do Rio Grande do Sul é uma das mais preparadas para o processo de emissão de nota eletrônica no País. Será um desafio muito grande conseguir processar to- das as informações registradas, mas tenho certeza que o órgão se sairá muito bem.

Contabilidade – Quais os desafios lançados aos contadores com essas novas ferramentas?

Zanini – Desde 2008, quando começou o projeto de implanta- ção da NF-e no Brasil, acompanho de perto o trabalho dos contadores por meio de diversas parcerias realizadas. Os conta- dores que enxergaram novas oportunidades de trabalho com esse processamento eletrônico que o governo tem implantado e regulamentado conseguiram um destaque frente aos demais. Já aqueles que não se atualizarem rapidamente possuem um desa- fio instransponível pela frente. Os profissionais precisam ter uma visão de negócios mais ampla e adotar a tecnologia como ferramenta de trabalho. Sem dúvidas, trata-se de uma oportunidade única de aperfei- çoamento profissional.

Contabilidade – Como as empresas que atuam em todo território nacional podem agir para atender às normas fiscais e aos consumidores de diversos estados?

Zanini – Se hoje a NFC-e fosse uma obrigatoriedade de mercado – o que ainda não é – uma empresa que atua em todo o território nacional teria muita dificuldade para se adequar, já que não existe uma padroniza- ção entre os modelos propostos pelos estados. Além de deman- dar um investimento maior do varejista, a adoção de modelos diferenciados entre os estados vai impactar, principalmente, as empresas que atuam nacional- mente, pois terão que adquirir diferentes soluções para atende- rem às normas e consumidores de diversos estados. Se eu fosse apostar em algum exemplo de solução eu apostaria no modelo proposto pelo Rio Grande do Sul, Ceará e Amazonas, que não exi- gem a aquisição de equipamen- tos sofisticados e é mais simples de ser adotado pelos varejista.

 

Fonte: Diário Comercio

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