Companhias capacitam para implantar o eSocial

Apesar da obrigatoriedade da implantação do eSocial a partir de abril, 36% das empresas contábeis e dos departamentos contábeis-financeiros de companhias do país ainda não começaram a promover mudanças para se adaptar à exigência. Por outro lado, 45% delas já passaram a capacitar colaboradores. Os dados fazem parte da pesquisa “O impacto do eSocial nas empresas contábeis”, realizada pela Wolters Kluwer Prosoft, multinacional provedora de softwares fiscais, e divulgada com exclusividade para o Valor.

O eSocial, sistema da Receita Federal, obrigará empresas a fornecer informações detalhadas – praticamente em tempo real – sobre folha de salários, dados tributários, previdenciários e informações relacionadas aos trabalhadores, que vão desde dados sobre a admissão até mesmo a questões como a exposição a agentes nocivos.

A pesquisa foi realizada entre 25 de novembro e 2 de dezembro de 2013. O levantamento reuniu 1.416 entrevistas on-line, colhidas de 1.310 escritórios de contabilidade e 106 departamentos contábeis-financeiros de empresas estabelecidas em 370 municípios.

A contratação de pessoas e o investimento em tecnologia também não estão nos planos da maioria dessas empresas, segundo o levantamento. Um total de 50% ressaltou que não vê necessidade de contratar. Outras 29% também informaram que não elevarão o número de colaboradores, pois aproveitarão recursos internos. Mão de obra capacitada é um problema para 8% entrevistados. Atualmente, 35% das companhias têm entre um e cinco colaboradores, enquanto 24% encaixam-se na faixa de seis a dez funcionários.

Já o investimento em tecnologia da informação faz parte dos planos de apenas 8% dos participantes. A ideia de quem vai investir é adquirir banda larga, computadores e servidores mais potentes, redes, back-up e softwares.

De acordo com a pesquisa, enquanto 45% não têm planos de promover investimentos adicionais, 46% pretendem desembolsar até R$ 10 mil e 7% preveem usar entre R$ 10 mil e R$ 50 mil na adaptação ao eSocial.

Outro dado relevante é que 41% das companhias também informaram não ter opinião formada acerca dos reais benefícios trazidos aos negócios pelo eSocial. Para 32%, porém, haverá mais transparência e segurança na transmissão das informações dos empregados. Além disso, 13% esperam o fim de diversas outras obrigações acessórias.

Para o presidente da Wolters Kluwer Prosoft no Brasil, Carlos Meni, os resultados demonstram que as empresas ainda não estão conscientes das reais alterações que serão promovidas pelo eSocial. “Ainda há muitas dúvidas e várias empresas não levam a sério que isso será realmente implantado e têm a expectativa de que será adiado mais uma vez”, afirma.

Segundo Meni, muitas companhias devem deixar para a última hora para se adaptar. “As empresas terão que alterar a forma como trabalham para poder emitir essas informações quase que em tempo real. Isso deve passar por uma mudança de cultura dentro da companhia, já que as diversas áreas terão que ser mais integradas”, diz.

Para Angela Rachid, gerente de produtos da divisão brasileira da ADP, empresa especializada em soluções de RH e folha de pagamento, que participa do projeto-piloto da Receita Federal, é plausível que existam dúvidas porque o governo não divulgou muitas informações, apenas os layouts destinados à área de tecnologia da informação. Segundo a gerente da companhia, mais do que treinamento na área de tecnologia, as empresas devem investir na integração das áreas existentes.

Na avaliação de Angela, porém, daqui alguns anos o departamento pessoal das empresas será muito melhor do que é hoje. “Mas em um primeiro momento, essa adaptação será turbulenta já que o projeto ficou maior do que o governo esperava e são muitas informações a serem prestadas.” Por isso, Angela acredita que, de início, o governo terá uma postura muito mais de orientação sobre o programa do que de inquisição.

 

Fonte: Valor Econômico

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