IBGE muda cálculo de serviço e eleva PIB

Impacto será conhecido em dezembro, quando sai resultado do PIB do 3º trimestre; série será revisada desde 2012.

O IBGE alterou a metodologia de cálculo do setor de serviços, o que, segundo analistas, pode elevar entre 0,1 e 0,3 ponto percentual o resultado do PIB (Produto Interno Bruto, soma dos bens e serviços produzidos no país) ainda em 2013.

Para este ano, a previsão média do mercado era de crescimento de 2,5%, sem contar com essa revisão.

A mudança constará do resultado do PIB do terceiro trimestre, que sai em 3 de dezembro. Na mesma data, o IBGE revisará os dados desde o início de 2012.

Além da revisão de serviços, o IBGE trará para o PIB do terceiro trimestre dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2012 e da PAM (Pesquisa Agrícola Municipal), que também terão impacto significativo.

Responsável por quase 58,5% do PIB do país, o setor de serviços é um dos mais difíceis de mensurar. O cálculo é feito por meio de projeções e da incorporação de dados provenientes de pesquisas anuais, como a Pnad e a PAS (Pesquisa Anual de Serviços), que funcionam mais como um retrato do setor do que um indicador conjuntural.

CORREÇÃO PELO IPCA

Apenas em agosto, o IBGE passou a divulgar a PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), cujos dados serão agora incorporados ao cálculo do PIB.

Segundo Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais do IBGE, a mudança fará o PIB ter dados mais confiáveis dos setores de transportes de carga e passageiros, correios e comunicações, além de hotéis e restaurantes.

Nesses itens, os valores serão corrigidos (deflacionados) pelo IPCA específico de cada um.

O segmento de maior impacto, no entanto, será o de serviços de informação, incluindo telecomunicações e informática. Os dados de serviços bancários continuarão vindo do Banco Central.

REPIQUES DILUÍDOS

Segundo analistas, o impacto será sempre no sentido de elevar o resultado do PIB. Por outro lado, eventuais repiques de alta em um trimestre tendem a ser diluídos no desempenho fechado do ano.

Para Braulio Borges, economista-chefe da LCA, a mudança é positiva porque reflete melhor o desempenho dos serviços.

O setor é difícil de ser medido, diz Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. “Não havia nada parecido com o que temos em indústria e agronegócio.”

Em sua avaliação, é difícil estimar o impacto no PIB com a mudança na forma de calcular o indicador.

Para Fernanda Consorte, economista do Santander, a revisão terá impacto na segunda e na terceira casas decimais.

“Se tiver impacto, será positivo. Mas não será algo discrepante para se falar que o cenário mudou de desaceleração para aceleração.”

Além dessa revisão, o IBGE deve fazer uma mudança metodológica profunda no final de 2014, seguindo novas diretrizes internacionais.

Os Estados Unidos foram o primeiro país a fazer essa revisão, retroativa até 1929. O resultado foi a elevação dos percentuais de crescimento.

 

Fonte: Folha de S. Paulo

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