CIOs devem tentar liderar no mundo digital, alerta Gartner

Os negócios digitais aplicam combinações inéditas de novas tecnologias para gerar receita e valor, remodelar as indústrias e reinventar processos e modelos de negócios, além de criar novas oportunidades. Por isso, é fundamental que os CIOs se reforcem e liderem o mundo digital, afirma o Gartner. Mas o movimento dos líderes deve ser feito em duas velocidades: focando na execução de sistemas de missão crítica utilizando metodologias e processos tradicionais e, ao mesmo tempo,  na criação de novas estratégias para conduzir inovação digital.

“Continue operando sistemas essenciais estáveis, utilizando abordagens e metodologias convencionais, mas não tente forçar experiências, inovações digitais, nem momentos de negócios com essa abordagem”, diz Cassio Dreyfuss, chairman do Symposium ITxpo. “Em vez disso, use técnicas ágeis, rápidas e suficientemente seguras para explorar, adotar e adaptar-se a novas oportunidades e adote as que derem certo’”.

A questão não se resume a metodologias ágeis de desenvolvimento, saliente Dreyfuss. O importante é fazer parcerias com empresas menores e mais inovadoras, adotar crowdsourcing e empregar governança mais leve, além de métricas e liderança.

Novo papel do CIO Na opinião do Gartner, os CIOs dedicados às receitas e à estratégia desempenharão um importante papel de liderança, e os CIOs de retaguarda exercerão um papel operacional poderoso, mas terão menos influência sobre a estratégia. Os analistas afirmaram que uma das maneiras mais importantes pelas quais os CIOs devem pensar no seu trabalho nos próximos anos será como “contadores de histórias digitais” em suas empresas.

É fácil entender. Na área de negócios, a narrativa predominante tem sido a história financeira. O CFO garantiu que todos os executivos conheçam seu papel na criação do valor para a empresa. “À medida que o CIO passa a ser o contador de histórias digital da sua empresa, ele deve não apenas garantir que terá uma história de liderança convincente para contar, mas, também, que cada executivo passe a ser um líder digital, com clareza sobre a função dele na história digital da sua empresa”, afirma Dreyfuss.

Todas as empresas se tornarão empresas de tecnologia Os analistas do Gartner prevêem mudanças transformadoras à medida que a digitalização reinventar os modelos de negócios, produtos e processos, e forçar as empresas a competirem com  velocidade e agilidade nunca vistas.

A TI não se resume mais à função de TI. Em vez disso, TI passou a ser o catalisador da próxima fase de inovação nos ecossistemas pessoais e de negócios competitivos. Isso evidencia o início da Revolução Industrial Digital, que ameaça remodelar a maneira como os produtos são criados. De acordo com o Gartner, três tecnologias exigirão epescial atenção dos CIOs: a Internet das Coisas, a impressão 3D e o julgamento automatizado.

A Internet das Coisas solidifica a conexão entre máquinas, pessoas e interações de negócios na era moderna. Com o advento dos dispositivos extremamente conectados, as empresas, os governos e as pessoas passaram a ter acesso a mais informações sobre si mesmas e seu ambiente, do que sobre as quais podem efetivamente agir.

“A Internet das Coisas cria um mundo em que cada objeto não trivial é inteligente e conectado em rede”, afirma Tom Scholtz, vice-presidente e Fellow do Gartner. “Esses objetos inteligentes podem detectar e informar sobre seu ambiente e estado. Alguns podem ser controlados e todos fornecem novos valores para os clientes”.

Dezenas de bilhões de novos objetos e sensores gerando dados em tempo real serão fonte da qual as empresas vão extrair novos modelos de negócios, a matéria-prima com a qual vão construir novos produtos e serviços e visualizar e otimizar os processos.

Para se ter uma ideia, em cinco anos, graças a entrada rápida da computação “para vestir” na sociedade em geral, liderada pelos mercados crescentes e multibilionários da saúde e da boa forma, dispositivos para o consumidor ficarão mais sofisticados, captando o que o usuário vê, ouve ou até mesmo sente, por meio de respostas biorrítmicas. Os obstáculos técnicos que emperraram a adoção deles (duração da bateria, realidade aumentada, evolução dos chips e banda larga) estão desaparecendo rapidamente, abrindo as portas para mentes criativas determinadas a explorar essa tecnologia para fins comerciais, como ficou evidenciado pelos consideráveis investimentos da Samsung, Google, Apple e Microsoft, nesse tipo de tecnologia.

Segundo o Gartner, número de aplicativos de smartphones compartilhando dados dos consumidores dobrará até 2015, indicando um aumento no número de comerciantes ou proprietários que buscam acesso aos dados de perfil dos clientes. A palavra “engajamento” se tronará um patrimônio realmente valioso.

Engenheiros, cientistas, profissionais de TI e de marketing das empresas de bens de consumo vão procurar engajar multidões de maneira muito mais arrojada, usando canais digitais com frequência cada vez maior para atingir um grupo grande e mais anônimo de inteligência e opinião. O Gartner observa uma enorme mudança no sentido de aplicações de crowdsourcing que utilizam tecnologia, tais como: publicidade, comunidades online, resolução de problemas científicos, ideias internas para novos produtos e produtos criados pelo consumidor.

Segundo as previsões da consultoria, em 2015, as empresas de bens de consumo que utilizam soluções de crowdsourcing em campanhas de marketing ou no desenvolvimento de novos produtos terão um aumento de 1% da receita em relação aos concorrentes que não usam crowdsourcing. Até o fim de 2014, o número de leilões de dados pessoais com base em sites de crowdfunding aumentará em percentagens de três dígitos.

Em 2017, mais da metade dos fabricantes de bens de consumo receberão 75% dos seus recursos de P&D e inovação para consumidores de soluções provenientes de crowdsourcing.

O surgimento das máquinas inteligentes aumentará as oportunidades e o medo dos “sistemas conscientes e cognitivos”, podendo aprimorar os processos e a tomada de decisões, mas, também, pode eliminar a necessidade dos seres humanos no processo e no trabalho decisório. Os CIOs verão isso como um meio de gerar mais eficiência, mas precisarão atingir um equilíbrio entre a mão-de-obra humana ativa e a fria eficiência de máquinas capazes de aprender.

Em 2024, pelo menos 10% das atividades potencialmente prejudiciais à vida humana exigirão o uso obrigatório de um “sistema inteligente”, cujo controle não possa ser assumido externamente.

Já a impressão 3D revolucionará os mais diversos setores, como moda, varejo, imóvel e militar. Ela permitirá otimizar os processos de negócios, utilizando novas técnicas de fabricação. Também possibilitará a criação de novos modelos de negócios que precisam de ciclos de produção ágeis e curtos, além de apoiar os “momentos de negócios” com fabricação de peças únicas e produtos adaptados a uma pessoa.

Por outro lado, exigirá novas políticas de segurança. Por exemplo: a queda vertiginosa dos custos das impressoras, dos scanners 3D e da tecnologia de modelagem 3D, aliada à melhoria dos recursos, torna a tecnologia para o roubo da propriedade intelectual mais acessível aos possíveis criminosos. Segundo o Gartner, em 2018, a impressão em 3D causará a perda de pelo menos US$ 100 bilhões por ano de propriedade intelectual, em âmbito mundial. Já em 2015, pelo menos uma grande empresa ocidental vai afirmar que a propriedade intelectual (PI) de um de seus produtos importantes foi roubada por ladrões usando impressoras 3D e que, provavelmente, residirão nesses mesmos mercados ocidentais, e não na Ásia.

É importante ressaltar que as impressoras 3D não precisam produzir um produto acabado para permitir o roubo. A capacidade de fazer um molde de cera de um objeto digitalizado, por exemplo, pode permitir que o ladrão produza grandes quantidades de itens que reproduzem, fielmente, o original.

A consultoria prevê também um debate mundial sobre a regulamentação da tecnologia de impressão 3D ou sobre sua proibição para uso humano e não humano, a partir do momento no qual a impressão 3D de tecidos e órgãos (bioimpressão) se torne possível. O que deverá acontecer até 2016. A FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos) dos EUA ou um órgão semelhante de uma nação desenvolvida, com a função de avaliar todas as propostas médicas, apresentará diretrizes que proíbem a bioimpressão em 3D de órgãos e tecidos para salvar vidas, sem aprovação prévia, até o final de 2015.

A bioimpressão é a aplicação médica das impressoras 3D para produzir tecidos vivos e órgãos. O dia em que órgãos humanos bioimpressos em 3D estarão facilmente disponíveis está se aproximando. O surgimento de instalações de bioimpressão em 3D com a capacidade de imprimir órgãos humanos farão com que as pessoas pensem no efeito disso na sociedade. Para além dessas questões, no entanto, existe a realidade de que a bioimpressão em 3D representa a possibilidade de ajudar pessoas que precisam de órgãos que, de outra forma, não estão facilmente à disposição.

Embora possa parecer que alguns desses tópicos não afetarão diretamente a função de TI, devemos aceitar a ideia de que, hoje, a TI faz parte de tudo”, afirma Ken McGee, vice-presidente do Gartner. “Com a mudança na estrutura das empresas e dos setores de atividade, os sistemas de TI por trás deles mudarão, assim como as habilidades, os processos e os controles necessários para mantê-los funcionando.”

Em 2017, 10% dos computadores aprenderão em vez de processar. Os métodos de aprendizagem profunda, baseados em redes neurais profundas, estão sendo aplicados em sistemas de reconhecimento de fala, bem como em algumas aplicações de reconhecimento de objetos. Em 2014, o número de aplicativos de reconhecimento de fala usados em algoritmos de redes neurais profundas dobrará, prevê a consultoria.

Diretores Digitais terão papel importante De acordo com o Gartner, até 2015, 25% de todas as organizações terão um Diretor Digital em sua equipe executiva. Sua função será ajudar a empresa a impulsionar o crescimento , convertendo-a de empresas tradicional e ” analógica” para empresa digital, e supervisionar as operações nos setores digital em rápida mutação , como aplicativos móveis , mídias sociais e aplicativos relacionais, bem como o “selvagem” gerenciamento de informações baseados na web e no marketing digital.

“Portanto, nós vemos o Diretor Digital como um cargo temporário, que não existirá para sempre. Ele será fundamental para auxiliar as empresas, os líderes e o CIO nessa transformação””, afirma Dreyfuss. Em outras palavras, na visão do Gartner o CDO será par do CIO estratégico, e deverá desaparecer até até 2020, porque todos os líderes serão ‘digital officers’ e terão determinadas capacidades para conduzir uma organização digital.

Muitos CIOs gostariam de ter a função de CDO. O Gartner estima que cerca de 20% dos CIOs já assumiram essas responsabilidades.  É um passo significativo para CIO, em seu papel estratégico, já que a revolução digital continua acelerando, sem nenhum sinal de abrandamento. O  CIO de hoje tem que lidar com essas grandes forças, bem como com a infraestrutura de TI que inclui não só os sistemas clássicos de empresas e redes, mas também as tecnologias digitais de consumo de todos os tipos, sensores usados ​​em todos os tipos de soluções inteligentes, voz e vídeo digital comunicações e assim por diante. E precisa continuar a desempenhar um papel importante na gestão do uso da TI nas operações diárias da empresa, bem como em explorar formas de melhorar a infraestrutura de TI e todos os processos baseados em TI. Em resumo: os desafios são imensos.

Como os maiores especialistas em tecnologia da informação na empresa, os CIOs devem trabalhar em estreita colaboração com todos os outros executivos seniores para ajudá-los a projetar, construir e apoiar os seus produtos e serviços cada vez mais complexos. Além disso, como as empresas procurando expandir seus negócios através do desenvolvimento de todos os tipos de serviços baseados em nuvem, eles também devem desempenhar um papel importante de ajudar a identificar e construir essas novas oportunidades de negócios baseados em TI.

De acordo com o Gartner , há 12 anos 20% dos gastos com TI estava fora da organização CIO. Agora, ele está se tornando integrado em cada canto e recanto da empresa, usado em praticamente todas as funções e departamentos, e se conectando a todas as partes interessadas dentro e fora da instituição. Esta tendência só irá acelerar. Até o final da década, 90% dos gastos com TI terão lugar fora da organização clássica CIO.

 

Fonte: CIO

Posted in:

Deixe uma resposta