Migração para carteira de small caps exige cautela

Mesmo com forte valorização neste ano, as empresas de menor capitalização, geralmente, têm um giro reduzido, o que pode dificultar a saída de posição do investidor mais à frente.

Das 371 ações negociadas na Bolsa brasileira atualmente, apenas 13 delas têm valorização no acumulado de 2012, até a última sexta-feira (7/12), que supera os 100%.

Nenhum desses papéis fazem parte do Ibovespa, índice composto por 69 ações que respondem por aproximadamente 80% do volume total negociado no mercado doméstico.

Embora se mostre atraente em um primeiro momento, a migração de uma carteira mais segura como o Ibovespa, para uma de perfil mais arriscado como àquela formada por small caps, pode não trazer os resultados esperados, e deve ser feita de maneira cautelosa.

“Não tem porque migrar da primeira linha para a segunda linha. As small caps subiram muito, e quem ficou para trás foram Vale, Petrobras e bancos”, diz Mitsuko Kaduoka, diretora de análise de investimento da BI&P – Indusval & Partners Corretora.

No ano, até o dia 7, a ação preferencial da Petrobras (PETR4) cai 9%, a preferencial da Vale (VALE5) recua 8,6%, e a ordinária do Banco do Brasil (BBAS3) sobe 1,8%.

Por outro lado, a preferencial da Biomm (BIOM4) atinge alta de 148,3%, a ordinária da Dimed (PNVL3) avança 127,9%, e a ordinária da Portobello (PTBL3) ganha 123,8%. O Ibovespa no período sobe 3,05%.

“Acho arriscado fazer essa mudança [do Ibovespa para small caps] neste momento. Uma melhora da Bolsa deve beneficiar quem está para trás. As empresas de primeira linha ficaram devendo muito em relação às empresas de segunda linha”, pondera a especialista.

No curto prazo, Mitsuko acredita que os ativos das grandes companhias podem apresentar alguma recuperação, e apresentar uma performance superior à dos papéis de empresas menores, que devem ficar próximos da estabilidade.

“Daqui a pouco as casas vão começar a divulgar seus relatório para 2013, e vai ter muita mudança nas carteiras. Muitos papéis de segunda linha já valorizaram bastante, até mesmo antecipando parte do que poderiam mostrar no ano que vem”, nota a analista do Indusval.

Já em uma perspectiva de médio e longo prazo, a especialista acredita que o mais prudente é formar uma carteira bem balanceada, com papéis de primeira e segunda linha, tendo nessa segunda companhias médias e também small caps.

Além da valorização percentual, é importante destacar também, lembra João Pedro Brugger, da Leme Investimentos, a questão da liquidez dos papéis.

Essas small caps geralmente tem um giro muito reduzido, que pode dificultar a saída de posição do investidor mais à frente.

O papel BIOM4, por exemplo, tem giro de apenas R$ 1,16 milhão no ano, contra R$ 156,2 bilhões do ativo VALE5.

Além disso, alguns desses ativos têm valor unitário por papel muito baixo, e qualquer alteração de poucos centavos gera uma significativa variação percentual, que nem sempre corresponde a ganhos reais expressivos.

A BIOM4, novamente, tem um preço de R$ 3,80, enquanto a preferencial classe B da Millenium (TIBR6), que sobe 105% em 2012, tem valor unitário de apenas R$ 0,26.

“Acredito ser importante para o investidor buscar alternativas que não necessariamente estejam no senso comum do mercado”, fala Brugger.

“No entanto, o investidor tem que ser mais cauteloso. Muitas delas não recebem cobertura por parte dos analistas, e fica mais difícil ser feita uma análise por parte do investidor”, pondera o especialista da Leme.

As small caps, ressalta Brugger, exigem maior conhecimento, e tempo disponível do agente para avaliar com precisão os riscos atrelados a determinado papel que não tem tanto atenção do mercado.

Fonte: Brasil Econômico

Posted in: