Planejar, uma das palavras-chave para o sucesso das MPEs

Diante da voracidade arrecadatória dos nossos governos, resta ao empreendedor brasileiro tomar algumas medidas, dentro da própria legislação vigente, para atenuar os efeitos de tanto apetite governamental e ainda para vencer os demais desafios impostos nos atuais cenários econômico, tributário, fiscal e tecnológico.

Uma destas oportunidades é dada a todas as empresas anualmente, no momento da opção pelo regime tributário a ser seguido pela organização durante o exercício. Dentre as opções disponíveis, Lucro Real, Lucro Presumido e Simples Nacional, as duas últimas contemplam a grande maioria das  organizações nacionais: as micro e pequenas empresas, que segundo pesquisa realizada pelo Sebrae em parceria com o Dieese, totalizam 99% dos negócios do País.

No entanto, é importante destacar que não basta simplesmente fazer a escolha por um modelo de tributação ou outro, mas é fundamental, antes disso, analisar os prós e contras de cada regime, sempre considerando uma série de fatores, que inclui o perfil da empresa, os resultados do exercício anterior, as expectativas de faturamento, a previsão de despesas e tendências predominantes para o desempenho do negócio, com base no cenário econômico e no seu passado recente.
Antes de tudo, é preciso quebrar o mito de que o Simples Nacional é a melhor alternativa para todo e qualquer tipo de empreendimento, afinal o modismo da simplificação tem feito diversas organizações amargarem o aumento de sua carga tributária exatamente pela falta de um planejamento e de simulações antes do enquadramento.

A análise do custo da folha de pagamento ou a verificação se o produto em questão é ou não sujeito à Substituição Tributária, por exemplo, podem fazer da escolha pelo Simples Nacional um verdadeiro “tiro do pé”. Até mesmo o sistema do Lucro Real, que na teoria é destinado às grandes corporações, em algumas situações pode ser o mais vantajoso para um pequeno empreendimento. Porém, para se chegar ao resultado desta equação, é preciso fazer contas.

Para evitar adivinhações e improvisos neste momento crucial de decisão, que pode determinar o sucesso ou o fracasso da empresa, a contribuição de especialistas pode ser valiosa. Uma boa assessoria contábil auxilia o empresário ou administrador na realização de comparativos entre o Lucro Real, o Lucro Presumido e o Simples Nacional, além de colocar em evidência outros aspectos importantes, como questões relacionadas ao ICMS e o ISS, tributos das esferas estadual e municipal, respectivamente.

Seja qual for a escolha, não é possível abrir mão de uma contabilidade formal e bem estruturada, composta por balanços, balancetes, livro diário e análises mensais de movimentação, informações que representam a melhor forma de se justificar o equilíbrio entre receitas e despesas. Além de ser obrigatória pela legislação, a escrituração contábil também é instrumento poderoso tanto para as tomadas de decisões corporativas, como para a segurança da empresa perante a fiscalização.

Infelizmente, a taxa de mortalidade das empresas no País, principalmente nos seus cinco primeiros anos, ainda é muito grande, pois, além de enfrentarem uma das cargas tributárias mais altas do mundo, estão sujeitas a um verdadeiro furacão de burocracia, excesso de obrigações acessórias, insegurança jurídica, falta de crédito, concorrência desleal, entre tantos outros fatores.

Neste cenário desolador, estes cuidados surgem como um grande suporte, ferramentas valiosas para a competitividade e a solidez da empresa perante o mercado e Fisco. Planejar, uma das palavras-chave para o sucesso.

José Maria Chapina Alcazar. presidente do Sescon-SP e da Aescon-SP

Fonte: TI Inside

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