Simples Nacional concentrará 13,7 milhões de pequenos negócios até 2015

O Brasil deve formalizar 2,8 milhões de micro e pequenas empresas e 1,6 milhão de atividades no âmbito do programa Empreendedor individual (EI) até 2015.

A projeção foi feita por Luiz Barretto, presidente do Sebrae, na sexta-feira, 20, último dia de debates do Seminário Internacional sobre Pequenos Negócios, realizado em São Paulo.

Com cinco anos de vigência do Simples Nacional, o País já possui 6,9 milhões de micro e pequenas empresas e 2,3 empreendedores individuais. Se as projeções de Barretto se confirmarem, em 2015 serão13,7 milhões de micro e pequenas empresas e empreendedores individuais enquadrados no regime tributário.

O presidente do Sebrae explicou o Simples Nacional a representantes de agências de apoio às micro e pequenas empresas dos Estados Unidos, Chile e África do Sul, que desenvolvem em seus respectivos países trabalho semelhante ao que é feito pelo Sebrae no Brasil.

“Aqui, as MPEs representam 99% do número de empresas e respondem por cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB). Pela força que esse segmento tem, deveria ter uma participação maior no PIB”, afirmou Barretto.

Nos Estados Unidos, a participação dos pequenos negócios na produção econômica é maior. As 28 milhões de micro, pequenas e médias empresas existentes naquele país contribuem com quase metade do PIB, segundo Robert McKinley, representante da SBDC, agência norte-americana de apoio aos pequenos negócios.

Uma das formas de estímulo é a criação de benefícios para que o governo compre de micro e pequenas empresas. Nos EUA, os incentivos estão surtindo efeito. De tudo o que o governo norte-americano compra, 23% é adquirido de micro e pequenos empreendimentos.

No Brasil, a regulamentação do Simples Nacional elevou de R$ 2 bilhões para R$ 16 bilhões o volume de compras feitas pelo governo federal das micro e pequenas empresas entre 2006 e 2012.

“Mas, há muito que se fazer ainda. Temos o desafio de aumentar esse volume, principalmente nas prefeituras. O governo local vai gerar riquezas ao comprar das comunidades”, enfatizou Barretto.

O representante norte-americano sugeriu que Brasil e EUA estabeleçam uma relação para fortalecer o comércio exterior entre as micro e pequenas empresas dos dois países.

Dos empreendimentos de pequeno porte dos Estados Unidos, 35 mil exportam. No Brasil, o número não passa de 9,7 mil empresas exportadoras, que respondem por menos de 2% do volume comercializado com outros países.

“Nossa estratégia é fazer com que as micro e pequenas se transformem em médias empresas. Oferecemos assessoria técnica, cursos, políticas favoráveis, rede de apoio nacional”, ressaltou McKinley.

Segundo Hlonela Lupuwana, executiva da Seda, agência de apoio às micro e pequenas empresas da África do Sul, 5,9 milhões de micro e pequenas empresas do país respondem por 25% do PIB.

Desde 2004, a agência desenvolve ações para apoiar o segmento, como o tratamento diferenciado a empresas de propriedade de negros, que ainda são discriminados no país.

“Precisamos de ações específicas voltadas aos negros para que integrem efetivamente a economia. Entre elas estão o incentivo para que as compras do governo sejam feitas prioritariamente de empresas de negros e políticas para que esses empreendimentos tenham mais acesso a financiamentos”, explicou.

No Chile, o fortalecimento do empreendedorismo se torna necessário para que o país não sofra com crises internacionais, como tem ocorrido desde 2009, disse José Luis Uriart, representante da agência chilena de apoio às micro e pequenas empresas, a Sercotec.

“A cultura do empreendedorismo e inovação pode nos ajudar a não ficarmos tão suscetíveis ao que acontece no mercado externo”, disse, acrescentando que o país desenvolve ações de simplificação tributária, incentivo às compras públicas e busca dar ao segmento oportunidades de acesso a novos mercados e financiamentos.

Um projeto de lei em análise no país vai simplificar a abertura e fechamento de empresas. O Chile promove ainda iniciativas de apoio à adoção de técnicas de inovação nas micro e pequenas empresas.

Fonte: TI Inside

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