A Apple está mudando a TI

Com a consumerização, impulsionada pela política “traga o seu próprio aparelho” (BYOD, na sigla em inglês), a proliferação de plataformas cresce no ambiente corporativo. No lugar das mesmas estações de 20 anos atrás, hoje temos não só o PC tradicional, mas também notebooks, smartphones e tablets com variados hardwares e sistemas operacionais, levando ao profissional de TI a tarefa de gerenciar tudo isso em uma rede que extrapola os limites físicos da empresa. Mas há grandes desafios nessa ação.

Uma das marcas mais utilizadas nesse novo cenário é a Apple. Do funcionário de nível hierárquico mediano ao CEO do negócio, é possível encontrar aparelhos fabricados pela companhia de Cupertino, na Califórnia. Impulsionada pelas vendas do smartphone iPhone e do tablet iPad, a Maçã se tornou em 2011 a empresa mais valiosa do mundo, com um valor de mercado de US$ 444,4 bilhões, contra US$ 403 bilhões da petroleira ExxonMobil. Mesmo a morte do co-fundador e líder máximo Steve Jobs não foi o bastante para frear a excelente performance recente.

No entanto, os produtos da Apple são nitidamente mais voltados para o usuário final. Práticas como a compra de aplicativos em massa pelo programa App Store Volume Purchasing for Business não são bem vistas em ambientes corporativos por ficarem vinculadas a uma conta na loja virtual iTunes, mas não nos aparelhos. A atitude da Maçã seria no esquema “aceite ou esqueça”, segundo vários profissionais de TI durante o MacIT, evento focado no uso empresarial desses dispositivos, ocorrido nos Estados Unidos em janeiro.

“A melhor maneira de descrever a situação é que a Apple faz aparelhos para pessoas e essas os utilizam em lugares de trabalho”, afirma Michael Gartenberg, analista do Gartner. “Vemos muito lucro no mercado corporativo, mas é um bom negócio para usuários”, diz. Ou seja: é um fenômeno impulsionado apenas pelo consumidor comum invadindo um ambiente formal, mesmo sem haver grandes adaptações para permitir uma integração às políticas internas.

A própria impossibilidade de estabelecer mais de um perfil em dispositivos como o iPad e o iPhone torna a experiência para os profissionais de TI mais complicada. Os computadores Macintosh, por sua vez, nem sempre são suportados em alguns softwares, exigindo adaptações para integração de sistemas ou a simples proibição de utilização das máquinas da Maçã para fins profissionais. Um exemplo claro é de como vários sites de bancos brasileiros não funcionam com o sistema OS/X e o navegador Safari.

Mesmo com todos os empecilhos, para Gartenberg, a situação está, aos poucos, mudando. “Os consumidores querem utilizar [os produtos] para os negócios, então a Apple tem construído suporte para o Exchange, por exemplo. A empresa tem reduzido esse gargalo”, acredita o analista. De qualquer forma, parece ser um caminho sem volta: mesmo com preços proibitivos no Brasil, a marca vem ganhando força. “Ela está reconhecendo que mercados diferentes têm necessidades diversas, então está criando estratégias. Em um mercado em desenvolvimento há considerações necessárias, como a questão da [falta de] conectividade, mas ela está prosperando nessas regiões mesmo assim”, diz.

Nova realidade

Ben Greisler, presidente da Kadimac, uma companhia especializada em integrar a tecnologia Apple para consumidores corporativos, concorda com o analista do Gartner. “Os aparelhos da Maçã estão amadurecendo rápido e novas técnicas de gerenciamento estão sendo desenvolvidas pela empresa ou terceirizadas”, afirma. O problema é a abordagem dos profissionais de TI: eles querem gerenciar dispositivos para controlá-los, mas isso só ocorreria porque alguém precisaria fazer a gestão deles o tempo inteiro.

“Isso requer uma mudança de pensamento para o que tem sido um novo modelo de indivíduos utilizando seus próprios dispositivos acessando os dados corporativos em silos seguros” diz. “Ao proteger os dados, e não os aparelhos, a necessidade para o gerenciamento é reduzida”, explica. Para Greisler, a Apple está começando um novo paradigma, até por liderar o mercado da mesma forma como a Microsoft domina o mundo dos PCs.

“Isso não é algo ruim, pois usuários geralmente gostam de utilizar os produtos da Maçã e as pessoas e empresas estão mudando do BlackBerry para a iPhones em massa”, justifica. “A Apple não está sendo inflexível ao não se adequar às demandas dos negócios, eles estão criando um novo espaço que precisamos aprender”, conclui. Ou seja: a Maçã cooperando ou não, será fundamental para qualquer empresa se adaptar a esse novo mundo.

FONTE: Bruno do Amaral – Decision Report

 

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