De olho nas fraudes fiscais

O universo contábil das empresas sofreu grandes mudanças em 2007 quando foi instalado o Sped (Sistema Público de Escrituração Digital), responsável pela migração de boa parte das obrigações fiscais tradicionais para o mundo virtual. Hoje já se fala em canhoto eletrônico, aumentando ainda mais a segurança entre quem emite e recebe nota. Estima-se ainda que o Brasil tenha mais de cem tributações e 90 obrigações acessórias a serem atendidas no mundo digital.

No entanto, o cuidado com a segurança da informação acabou ficando em segundo plano, por conta do foco no cumprimento de prazos. Isso acabou abrindo espaço para a ocorrência de crimes eletrônicos no âmbito fiscal. Segundo Antonio Gesteira, presidente da NFe e recente membro da Comissão de Crimes de Alta Tecnologia da OAB-SP, as companhias não estão preparadas para lidar com as organizações criminais que atuam nos canais eletrônicos. “As empresas não têm visibilidade dos riscos dessa nova forma de transmissão de dados. No entanto, há muito espaço para ações de prevenção”, diz.

De acordo com o especialista, essas fraudes são mais sofisticadas se comparadas a outros tipos de crimes eletrônicos mais comuns, como a criação de perfis falsos nas redes sociais e ao vazamento de informações. “Normalmente, as notas fiscais sofrem diversos tipos de situações, como a tentativa de manipulação de dados, autorizações indevidas, alteração de arquivos, entre outros. No mercado de transporte de carga, o volume de ocorrências nesses documentos é gigantesco”.

A validação prévia da nota fiscal, antes mesmo do recebimento da mercadoria, é algo ainda não presente nos processos das empresas. “Hoje a tecnologia permite implementar vários tipos de controles no recebimento do documento. São poucas as empresas que fazem esse tipo de verificação”.

Gesteira aponta um dado alarmante. Segundo ele, menos de 50% das empresas no Brasil utilizam a tecnologia para fazer a verificação de entrada de nota fiscal. “As companhias ficam preocupadas em vender e acabam tirando o olho desse tipo de situação”, explica.

Com o aumento cada vez maior de obrigações fiscais sendo inseridas no universo virtual, as áreas fiscais e contábeis devem ser cada vez mais “desafiadas” a buscar a segurança nessas operações. Para o presidente da NFe, por não conseguir criar mais impostos, o governo encontrou na fiscalização a forma de aumentar o volume arrecadado, o que deve ser intensificado ainda mais nos próximos anos.

“O governo utilizou a tecnologia para que o monitoramento das operações fiscais ganhe mais eficiência. Sua capacidade de fiscalizar deves ser ainda maior daqui a cinco anos. É fundamental que as empresas invistam em mecanismos de controle para melhorar sua capacidade de proteção contra as fraudes eletrônicas fiscais”, conclui.

Fonte: Decision Report

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