Cresce procura no BNDES para aquisições em outros países

são Paulo – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) verificou um fluxo crescente de empresas brasileiras na busca de apoio do banco, por meio de uma nova linha específica de financiamento, para internacionalização, informou Sergio Foldes, superintendente da Área de Internacionalização do BNDES. E, neste contexto, o Hemisfério Sul tem atraído o interesse dos brasileiros, conforme aponta o diretor de Pesquisa da BRAiN, o economista André Sacconato.

Foldes explica que a chamada linha de financiamento Internacionalização de Empresas se baseia nas diretrizes do BNDES Finem, com algumas condições específicas. Por exemplo, diferentemente dos demais produtos do banco de fomento- que trabalha com a Taxa de Juros a Longo Prazo (TJLP), de 6% – o custo dessa nova linha vai de acordo com o câmbio da moeda estrangeira que envolve a operação.

Segundo Foldes, por ser uma linha nova – implementada em 2002 – ainda não há dados mais consolidados. Há, por enquanto, apenas consultas. “Existem diversos setores que estão interessados nesse tipo de financiamento, como os de bens de capital, máquinas e equipamentos, tecnologia da informação (TI) e petroquímicas. Contudo, é um produto ainda pouco conhecido, porque é mais caro do que as demais linhas”, diz.

Para a concessão do crédito do BNDES, os investimentos devem estar relacionados à construção de novas unidades, aquisição, ampliação ou modernização de unidades instaladas e participação societária, bem como necessidades de capital de giro, desde que associadas a esses investimentos, e resultar no desenvolvimento da economia brasileira.

Bom momento

O coordenador do curso de Gestão Financeira da Veris IBTA Metrocamp, Fabrício Pessato Ferreira, acredita que este é um bom momento para as empresas brasileiras iniciem o processo de internacionalização. Por causa da crise, os ativos nos Estados Unidos e na Europa estão mais baratos, o que pode favorecer aquisições de companhias e de imóveis, por exemplo. “Esse processo seria bom para equilibrar a remessa de lucro e dividendos no longo prazo, já que a saída de dólar por esta modalidade é muito maior do que a entrada. O Japão, nos anos 80, quando o Iene estava sobrevalorizado, iniciou o processo de internacionalização. E isso contribui para um equilíbrio nas transações correntes daquele país. O Brasil tem poucas empresas que expandiram seus negócios no exterior, como foi o caso da Petrobras, da Vale, e agora da Ambev, ou algumas do segmento de aço, e a maioria vai para a América Latina”, diz. “E como nossa moeda mais valorizada, o custo é menor”, acrescenta.

Sacconato discorda de Pessato Ferreira. Para ele, comprar ativos em países como Estados Unidos e na Europa é como uma “faca de dois gumes”. “É mais barato, mas pouco rentável. Eu não veria a Europa com bons olhos pelos próximos dez anos. Além de que o mercado nestes países não é interessante para investimentos”, argumenta.

O economista afirma que o mais indicado é focar em países da América Latina e da Ásia. Ou seja, no Hemisfério Sul. “Na BRAiN estamos fazendo um trabalho de integração da América latina. Colômbia e Chile podem fazer parte desse grupo e esse é nosso foco em 2012, que já tem apoio do governo”, aponta.

Na opinião do superintendente do BNDES, o Hemisfério Sul tem atraído mais a atenção das empresas brasileiras. No entanto, essa internacionalização não apresenta “concentração geográfica”. “Comprar empresas em países desenvolvidos oferece mais tecnologia e um avanço para o empresário brasileiro”, diz Foldes, ao concordar que mesmo que os ativos baratos de países desenvolvidos sejam pouco rentáveis, eles são indicados.

Apoio

O governo, principalmente por meio do BNDES, tem intensificado nos últimos anos o apoio à internacionalização das empresas. Em 2005, foi realizada a primeira operação contratada pelo BNDES dentro da linha de internacionalização de empresas. Esta envolveu a aprovação de financiamento de US$ 80 milhões para o frigorífico Friboi adquirir no mínimo 75% da argentina Swift Armour S.A.

Mais recentemente, o banco de fomento anunciou intenção de financiar a então a oferta da Eletrobras pela fatia de 21,35% do governo português na companhia Energias de Portugal (EDP) colocada à venda. E de disponibilizar até R$ 4,5 bilhões para viabilizar a fusão entre o Pão de Açúcar e as operações brasileiras do francês Carrefour. O valor total da operação era R$ 5,6 bilhões. Ambos os casos, contudo, não foram concluídos.

Apesar de elogiarem a atuação do governo, os especialistas entrevistados pelo DCI afirmam que é preciso resolver o problema da burocracia e dos custos tributários, que em casos de pesquisa e desenvolvimento – necessários para abrir uma filial no exterior – pode ser 40% maior para uma empresa brasileira tentar se internacionalizar do que acontece em outros países.

Fonte: DCI Online

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