Pequenas empresas trazem mais retorno na Bolsa

Neste mês, as ações da fabricante de alicates Mundial avançaram 40% num só dia, recuaram mais de 10% por dois pregões seguidos para depois se valorizarem em 30%, na segunda passada.

No mesmo período, as ações da siderúrgica Gerdau não caíram mais de 2,3% nem subiram mais de 2,16%.

A montanha-russa desses papéis revela um pouco dos riscos e das oportunidades contidos no universo das “small caps”, as ações de empresas com menor capitalização de mercado e que têm atraído a atenção dos investidores.

Os números explicam esse interesse: enquanto o Ibovespa, que reflete as ações mais “populares” da Bolsa, recuou 6,8% entre janeiro e maio, o índice da Bovespa específico para as “small caps” caiu somente 2%.

Em 2010, o contraste foi ainda maior: enquanto o Ibovespa subiu apenas 1%, o “termômetro” das “small caps” avançou 22,8%.

Para esses interessados, analistas indicam três conselhos fundamentais: olho na liquidez (facilidade para vender as ações), diversificação com mira no longo prazo e ajuda especializada.

CUIDADO COM ‘MICOS’

“O investidor tem de tomar cuidado para não correr o risco de ir para as ‘micocaps’, como nós brincamos por aqui, que são aquelas empresas que não têm liquidez [dificuldade para vender as ações] nenhuma”, diz Raphael Cordeiro, analista da corretora Omar Camargo especializado nesse universo.

Cordeiro, bem como outros profissionais do setor financeiro, sugere que o investidor pince suas escolhas numa amostra já selecionada: a cesta de ações que compõem o Índice Smalls Caps, da BM&FBovespa.

Esse índice faz um recorte desses papéis tendo em vista um volume mínimo de negócios por ano (95% dos pregões da Bolsa).
O índice é “democrático” e contempla desde as ações da nem tão conhecida fabricante cearense de biscoitos e massas Moinho Dias Branco até as da empresa aérea Gol.

Por abranger um universo tão díspar, alguns analistas dizem que esse tipo de papel exige um perfil diferenciado.
“Precisa ser um investidor com uma carteira de longo prazo e com um volume [de capital] um pouco maior, que possibilite fazer a diversificação dos investimentos”, diz Richard Wahba, estrategista de investimentos da Fator Corretora. “Diversificando, você consegue diminuir bastante o risco.”

INFORMAÇÕES

Profissionais de mercado têm opiniões distintas sobre um ponto controverso no universo das “small caps”: o fluxo de informações para o mercado.

Embora alguns analistas elogiem a facilidade em ter acesso a executivos de “primeiro escalão” (o que ajuda a melhorar a qualidade dos relatórios) numa empresa nem tão gigantesca, outros reclamam da ausência do RI (o departamento de relações com investidores) em momentos decisivos.
“É importante a empresa estar sempre presente no mercado”, diz Clodoir Viera, analista de investimentos da corretora Souza Barros.
“O empresário, ou o RI da empresa, tem de estar muito atento: qualquer rumor que sair (…), se for publicado, ele tem de se pronunciar. Nesse caso, você passa a dar credibilidade para a ‘small cap’. Se o executivo não faz nada, deixa a ação [dessa empresa] à mercê do mercado, à mercê dos formadores de boato.”

Fonte: FOLHA DE SÃO PAULO

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