Cartórios de São Paulo chegam à nuvem

Prevenir é sempre melhor do que remediar e os cartórios de São Paulo estão apostando nessa máxima e, claro, unindo a proteção a alternativa mais viável em termos de custos e de agilidade em TI – computação na nuvem. Tanto é assim que, atualmente, 26 cartórios paulistas estão utilizando uma solução baseada em cloud computing para a realização do backup de seus documentos.

Desenvolvida pela Siplan, integradora com forte especialização neste nicho de mercado, o serviço é baseado na plataforma Windows Azure e deve passar a ser oferecido em grande escala a partir de julho deste ano.
Luis Werner, diretor da Siplan, explica que o maior desafio não foi o desenvolvimento da solução em si, mas a resistência apresentada pelo setor.

“Há anos trabalhamos com desenvolvimento de sistemas para cartórios. É um meio conservador e onde encontramos diferentes níveis de informatização”, explica. De fato, até bem pouco tempo, o setor não demonstrava preocupação com a realização de backups de seus documentos. O quadro começou a mudar depois que as chuvas praticamente destruíram os registros do cartório de São Luis do Paraitinga (SP) em janeiro do ano passado.

“O que aconteceu lá criou entre os cartórios a consciência de que era preciso perenizar as informações e mantê-las protegidas de riscos e ameaças”, explica Werner. Com a preocupação, o uso da nuvem surgiu como alternativa mais viável.

Werner lembra que, no passado houve experiências de backup realizadas em data centers tradicionais, utilizando recursos de colocation. “Ali esbarramos com o grande volume de dados e imagens dos cartórios e com o fato de a maioria deles não contar com estruturas de telecomunicação corporativas”, explica.

A solução foi a criação de um algoritmo para compactação das informações, bit a bit, e o uso da plataforma Azure. “Com isso, informações que, com uma conexão normal de internet, levariam de 50 a 60 dias para serem transmitidas, hoje são salvas em menos de 40 horas”, explica Werner. O executivo lembra que a atualização do movimento feito no dia é feita durante a noite e concluída antes que os cartórios abram no dia seguinte.

Modelo comercial

Criada em outubro do ano passado, a Siplan iniciou os primeiros testes da solução com um grupo de dez cartórios. Estes testes duraram três meses, durante os quais foram realizadas simulações de perda e recuperação de documentos. Garantido o nível de segurança, a integradora iniciou a segunda fase: a oferta para a sua base de clientes, composta hoje por cerca de 500 cartórios.

Por se tratar de um conceito novo e de um público com características bastante específicas, a solução tem sido apresentada em reuniões mensais, realizadas com grupos de 20 clientes de cada vez. “A estratégia está dando certo. Na primeira reunião, realizada com 20 clientes, tivemos a adesão de 80% deles”, conta Werner.

A partir de julho, o modelo será liberado para a área comercial da companhia, e passará a ser oferecido ao mercado em grande escala. “Nossa expectativa é que, até o final do ano, cerca de 30% de nossa base esteja utilizando a solução”, conclui Werner.

Apoio

Para desenhar a solução de backup e oferece-la ao mercado, a Siplan contou com o apoio da Microsoft, com quem mantém parceria há cerca de dez anos. De acordo com Antonio Moraes, gerente geral de servidores e ferramentas da Microsoft Brasil, a companhia vem fazendo um grande esforço de evangelização em favor do utilização de serviços em nuvem.

“Nossa área de evangelização hoje presta auxílio técnico, ajudando nossos parceiros a definir o melhor modo de utilizar a nuvem para o desenvolvimento de suas soluções, como foi o caso da Siplan”, afirma Moraes. Além disso, a Microsoft conta também com uma célula de startups, que tem como foco o auxilio a empresas iniciantes que estejam fazendo uso da nuvem.

Na ponta do treinamento, a Microsoft definiu a plataforma Azure como foco. Não por acaso, a companhia já treinou cerca de 10 mil desenvolvedores e 80 empresas parceiras no Brasil. “Isso tudo é necessário porque a nuvem ainda enfrenta certa resistência, mas algumas empresas, como a Siplan e seus clientes, estão começando a utilizá-la como diferencial competitivo”, afirma.

FONTE: Convergência Digital – Hotsite Cloud Computing – Por Fábio Barros

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