Região Norte é líder em ‘apagões’

BRASÍLIA – A região Norte ostenta os piores índices de qualidade no fornecimento de energia do País. Enquanto a média nacional de interrupções vem caindo, os consumidores de Estados como o Pará têm amargado, ano após ano, uma deterioração dos serviços prestados pelas distribuidoras. Em 2010, o brasileiro sofreu pouco mais de 11 cortes de eletricidade no ano, enquanto os moradores do Norte ficaram quase 50 vezes no escuro.

O intervalo de tempo sem energia também é maior no Norte do que em outras regiões. De acordo com informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), ao longo do ano passado, os brasileiros ficaram, em média, 18 horas e 24 minutos sem luz. No Norte, empresas e residências amargaram 76 horas e 48 minutos sem eletricidade. No Sudeste, a média de interrupções foi a mais baixa: 11 horas e 25 minutos.

O próprio diretor-geral do órgão regulador, Nelson Hübner, reconhece que a situação é preocupante e por isso cobrou das distribuidoras da região um aumento nos investimentos para estancar o problema.

O grande número de interrupções garantiu às distribuidoras de energia da região Norte posição de destaque entre as empresas que mais tiveram de pagar compensações aos seus clientes.

A Celpa, empresa do grupo Rede Energia que atende o Pará, foi a campeã nacional de pagamentos. Somente na primeira metade do ano passado, a companhia teve que repassar R$ 31,5 milhões para seus consumidores. O número de compensações também é recorde: mais de 6 milhões.

Para se ter uma ideia da dimensão dos dados, a Eletropaulo, que atende 6,2 milhões de consumidores, teve uma despesa de pouco mais de R$ 15 milhões com o pagamento de compensações no mesmo período. A Celpa tem apenas 1,7 milhão de clientes, segundo balanço da Aneel. Procurada pela reportagem do Estado, a empresa não quis se pronunciar.

A situação se repete no Estado do Tocantins, que é atendido pela Celtins, outra empresa do grupo Rede Energia. Com 427,2 mil clientes, a empresa foi obrigada a fazer 634.093 compensações no primeiro semestre do ano passado. O valor desembolsado foi de R$ 2,150 milhões. A distribuidora também não quis atender a reportagem.

Interligado. Para o procurador da presidência das Centrais Elétricas de Rondônia (Ceron), Inácio Azevedo da Silva, o fato de a região Norte não fazer parte do Sistema Interligado Nacional (SIN) justifica, em boa medida, a ocorrência de um número maior de interrupções no fornecimento de energia.

“De uma forma geral, já era de se esperar que a região tivesse um indicador pior por ser do Sistema Isolado. Rondônia e Acre só conseguiram ser interligados em 2009 e, ainda assim, nem todos os municípios”, argumentou Silva.

Para a Aneel, entretanto, o fato dos Estados do Norte estarem fora do sistema nacional não justifica os altos índices de duração e frequência de interrupção no fornecimento de eletricidade.

Para tentar dirimir o problema, a Ceron, controlada pela Eletrobrás, lançou em 2009 um plano de melhoria de desempenho. O programa irá absorver R$ 1 bilhão em investimentos até 2015, sendo que R$ 240 milhões serão aplicados este ano. “Temos que investir em transmissão, subtransmissão e distribuição. Até 2015 devemos ter 99% do Estado de Rondônia interligado. Com isso, vamos melhorar os indicadores”, pondera Inácio Azevedo da Silva.

Esse expediente também está sendo adotado por outras distribuidoras da região, como a Eletroacre, que planeja investir R$ 170 milhões até 2014 para melhorar a “qualidade e segurança” do fornecimento de energia e conseguir, com isso, reverter os indicadores de desempenho.

Venezuela. Em Roraima, a distribuidora Boa Vista alega que o ano de 2010 foi “atípico”. Como a capital do Estado é abastecida por uma única fonte, alimentada pela Venezuela, os problemas de suprimento de energia vividos pelo país vizinho acabou gerando consequências.

A empresa foi obrigada a instalar usinas termelétricas para completar o abastecimento de energia.

“Apesar de não ocorrer racionamento, isso deixou o sistema bem mais vulnerável a desligamentos”, explicou a empresa em nota.
A Adesa, distribuidora da Eletrobrás no Amazonas, não respondeu à reportagem.

Fonte: Estadão.

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