Geração de dados para o Fisco

A partir deste ano, as empresas com declaração do Imposto de Renda com base no Lucro Real precisam adotar a Escrituração Fiscal Digital (EFD) da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Para tratar dos desafios de lidar com o novo elemento nos sistemas de TI, o Grupo de Usuários de Aplicativos da Oracle Brasil, Oraug-BR, realizou na manhã de hoje um encontro em São Paulo que reuniu representantes de grandes grupos e da própria companhia. Das várias dúvidas técnicas, um problema se sobressaiu: a mudança de regras do Governo e como se adaptar rapidamente para não ter problemas fiscais.

O evento contou com a apresentação do caso do Grupo Odebrecht, relatado por Valter Souza, consultor em Gestão de Projetos da Odebrecht. “Hoje somos uma empresa muito grande – felizmente para nós, mas infelizmente para a área de TI”, declarou, com humor. “Emitimos de 1.000 a 1.500 notas ficais por dia na Usina Santo Antônio, precisamos ter tudo em ordem na área tecnológica”, afirma, garantindo que a aprovação das notas levava 15 minutos cada, deixando a checagem impraticável para a demanda do volume. Agora, após a solução integrada da MasterSAF, a empresa consegue realizar a mesma atividade em 15 segundos.

No entanto, para o executivo da construtora, é preciso dialogar com a fornecedora de soluções de TI para que as coisas aconteçam. “Reclamamos que não conseguimos influenciar, mas precisamos nos unir mais”, afirma. O motivo disso é que para se adequar à prestação de contas em relação ao EFD-PIS/Cofins, a empreiteira precisou adiar a aplicação dos mais de 40 patches no ERP. “Somos uma empresa grande, qualquer código mal escrito nos afeta sensivelmente”, disse ao se queixar de uma perda de performance após a instalação, que exige softwares atualizados.

A Oracle se defendeu durante o evento. Gesiane Toryi, gerente de Suporte da Oracle, afirma que a guia do usuário para o EFD-PIS/Cofins só foi liberada em fevereiro. “O Governo decidiu qual era o plano de voo quando o avião já estava voando”, comparou. Mas a insatisfação com a necessidade de lidar com mais esse problema é palpável entre os empresários.

“A gente trabalha muito com autônomos, então pagar uma multa milionária por ter se enganado na hora de coletar os dados de uma cooperativa é inadmissível”, diz Souza. Isso é particularmente complicado no caso de empresas estrangeiras, que precisam esperar pelas filiais brasileiras lidarem com a burocracia na hora de fazer demonstrativos financeiros. “É difícil até de traduzir o que é uma nota fiscal, então eles não entendem bem o que acontece”, reclama o executivo da Odebrecht.

Isso tudo acontece também pelo aumento da responsabilidade da área de TI nas empresas. “Hoje em dia tudo é relativo à informática, então alguns problemas não são todos nossos, não podemos consertar tudo”, diz Carlos Alberto Nascimento, gerente de Informação Fiscal da MasterSAF. “A responsabilidade é do mapeamento de negócios, como a empresa se organiza para repassar as informações fiscais”, corrobora Rodolfo Manoel, executivo de pré-vendas da Alliance.

Para Edgar Marsan, consultor da Fábrica de Artefatos Latex São Roque, a troca de experiências em grupos de usuários “é importante para que as empresas possam transmitir ao desenvolvedor do software todos os anseios”. O executivo acredita que a falta de transparência e velocidade na adequação ao software demandam uma nova ótica sobre o problema. “Sabemos que o Governo brasileiro é ‘criativo’ na área fiscal”, diz. “Mas as soluções precisam ser repensadas”, define.

FONTE: Decision Report

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