Para companhias, carga tributária é principal barreira

A carga tributária incidente sobre jogos e consoles é uma das principais reclamações de fabricantes e criadores de títulos que atuam no Brasil. Cobrados em cascata, tributos como imposto de importação, ICMS e PIS/COFINS aumentam em até 125% o preço de alguns produtos no Brasil, segundo executivos do setor.

Atualmente, duas frentes atuam para reduzir o impacto dos tributos.

A primeira é liderada pelos integrantes do Projeto Jogo Justo, uma iniciativa criada pelo empresário Moacir Alves Jr. Outro movimento é encampado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio).

“Precisamos estimular a expansão dessa atividade para garantir espaço para o país no futuro”, diz Adolfo Melito, do conselho de economia criativa da Fecomercio.

Na avaliação de Cláudio Costa, fundador e presidente da distribuidora de jogos NC Games, a estrutura de tributos que incide sobre o setor tem origem nos anos 90, quando o Brasil ainda tinha fabricação local de jogos e consoles. O intuito, na época, era proteger a indústria nacional.
“Com o passar dos anos, isso nunca foi revisto”, diz o executivo.

Para Marcos Khalil, executivochefe da rede varejista especializada em jogos UZ Games, além de fortalecer o mercado interno, a redução de impostos poderia estimular os fabricantes a produzir seus consoles no Brasil para suprir a demanda interna e, eventualmente, exportar para a América Latina.

“Existe um mercado consumidor f o r t e”, diz André Forastieri, diretor da Tambor Editorial, editora especializada no setor de jogos que realiza em São Paulo o Troféu Gameworld.

A mais recente edição, realizada entre 11 e 13 de março, teve mais de 25 mil visitantes. “Está todo mundo pronto para crescer rapidamente.
Só é preciso tirar esse peso [dos impostos] das nossas costas”, diz Bill van Zyll, diretor da Nintendo na América Latina. (GB)
O mercado brasileiro de videogames teve seu melhor momento entre o fim dos anos 80 e a primeira metade dos anos 90.

Nessa época, encontrar jogos e consoles no varejo oficial não era uma tarefa difícil.

Associadas a empresas locais, as então gigantes do setor – Sega e Nintendo – disputavam com ferocidade a preferência dos aficcionados por jogos eletrônicos.

Segundo executivos que viveram essa fase, a joint venture entre Gradiente e Estrela, que representava no Brasil a Nintendo, e a Te c toy, licenciadora dos produtos da Sega, chegaram a faturar, cada uma, US$ 100 milhões na época.

Contudo, problemas internos das companhias e fatores de mercado acabaram esfriando o setor. Entre os problemas, estava a falta de presença oficial de fabricantes e criadores de jogos no país. O caso mais notável é o da Sony. A companhia, que se tornou uma das principais do setor em 1996, com o lançamento do primeiro PlayStation, só trouxe essa linha de produtos para o Brasil no fim de 2009. Até então, o mercado não recebeu atenção da fabricante japonesa, o que abriu espaço para o crescimento do mercado informal e a venda de produtos piratas. A situação começou a mudar em 2006, quando Nintendo e Microsoft apostaram no país com o lançamento oficial dos consoles da geração mais recente (Wii e Xbox360, respectivamente). A presença oficial dos fabricantes é importante pois serve como referencial para as estratégias dos criadores de jogos e dos varejistas.

Fonte: O Valor

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