Indicadores fortes questionam desaceleração

A divulgação de importantes indicadores econômicos nos últimos dias colocou em xeque a visão de desaceleração da atividade no começo de 2011. A forte criação de empregos formais no primeiro bimestre, o desempenho positivo em janeiro do comércio varejista e do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) apontam para uma economia ainda forte, amparada no contínuo crescimento do mercado de trabalho. A taxa de desemprego está nas mínimas históricas e a renda segue firme, mantendo elevada a confiança do consumidor, mesmo com a alta dos juros e a adoção de medidas de restrição ao crédito.

Nesse cenário, ganha mais força entre os economistas a aposta num crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre em torno de 1% em relação ao quarto trimestre do ano passado, feito o ajuste sazonal – uma variação mais forte que o 0,7% do trimestre anterior, na mesma base de comparação. Para o economista Fábio Ramos, da Quest Investimentos, o resultado mais forte nos três primeiros meses do ano pode tornar o número de 4% o piso das projeções para a expansão em 2011, interrompendo o processo de redução das estimativas para o intervalo entre 3,5% e 4%.

Ramos destaca o comportamento extremamente forte do mercado de trabalho. Em janeiro, nota ele, a taxa de desemprego ficou em 6,2% no ajuste sazonal da Quest, o nível mais baixo da série, o mesmo de outubro e novembro de 2010. Ainda que a trajetória não siga em queda como ocorreu ao longo do ano passado, trata-se de um patamar extremamente baixo para padrões brasileiros, que continua a estimular a atividade econômica e a pressionar a inflação, na avaliação do o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale.

Nesse quadro, o rendimento segue em trajetória firme, como nota o economista Júlio Callegari, do J.P. Morgan. Esse é um fator que o leva a prever mais um bom ano para o consumo das famílias.

Regis Bonelli, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), observa que a confiança dos consumidores segue bastante elevada, o que ajuda a explicar o bom momento das vendas no varejo em janeiro. Para Bonelli, a alta em curso da taxa Selic parece ter afetado pouco as decisões de consumo de curto prazo. As medidas de restrição ao crédito tiveram impacto sobre os prazos e juros de financiamento, diz ele, notando, porém, que houve ao mesmo tempo uma busca maior por linhas de crédito mais caras, como cheque especial e cartão de crédito.

As vendas de veículos em janeiro parecem ter sido atingidas pelas medidas para conter o crédito, dado o recuo expressivo sobre dezembro. Já em fevereiro elas tiveram um bom desempenho, atingindo o melhor resultado para o mês da história. Há muita divergência, porém, em relação ao que ocorre em relação a janeiro na série com ajuste sazonal. Para a Quest, houve queda de 3,5%; para o Itaú Unibanco, de 1%; para a LCA Consultores, aumento de 1%.

Um sinal de força da economia foi a criação de empregos formais em fevereiro, que atingiu 280,2 mil vagas, com destaque para o setor de serviços, diz Ramos. O grande volume de empregos formais indica que os empresários continuam com expectativas positivas sobre a economia, acredita o economista-chefe do Santander, Maurício Molan. Segundo ele, as medidas para conter a demanda não levaram as empresas a brecar as contratações, pelo menos até o momento.

Um ponto que surpreendeu os analistas foi a forte criação de empregos formais na indústria, cuja produção se mostra estagnada desde o segundo trimestre do ano passado. O mau desempenho da indústria em janeiro, quando subiu apenas 0,2% sobre dezembro, feito o ajuste sazonal, foi um dos motivos que levaram alguns analistas a ver um PIB mais fraco em 2011. Para fevereiro, há a expectativa de alguns analistas de que a produção industrial terá um desempenho melhor, com aumento de cerca de 1% sobre janeiro, com base em indicadores como a fabricação de automóveis, o consumo de energia e o fluxo de veículos pesados nas rodovias.

Com uma correlação significativa com o PIB, o IBC-Br, que subiu 0,7% em janeiro sobre dezembro, é um dos principais motivos que fazem ganhar força um crescimento na casa de 1% no primeiro trimestre. “Mesmo se ficar estável em fevereiro e março, o IBC-Br crescerá 1% sobre o quarto trimestre de 2010”, diz Molan, que estima uma alta de 1%. Como é provável que o indicador tenha alguma expansão nesses meses, um aumento superior a 1% se torna possível. Vale, por exemplo, acredita em crescimento do PIB de 1,2% no primeiro trimestre, número que já tinha antes da divulgação do IBC-Br de janeiro.

Há quem considere precipitado, porém, apostar num PIB mais forte, como o economista-chefe da LCA, Bráulio Borges. “Eu estimava para dezembro um IBC-Br em alta de 0,9% e ele veio em 0,1%. Em janeiro, eu esperava 0,1% e veio 0,7%. Na média do bimestre, as taxas foram muito parecidas. Os dados de atividade estão muito voláteis nos últimos meses”, diz Borges, que mantém a projeção de uma expansão de 0,7% do PIB no primeiro trimestre sobre o quarto de 2010.

O diretor de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco, Octavio de Barros, reviu a sua projeção. Ele, que chegou a esperar um número próximo de zero há algumas semanas, aumentou sua estimativa de uma alta de 0,5% para 0,8%. “Eu não brigo com números. Os dados do emprego formal, de vendas no varejo e do IBC-Br realmente me chamaram a atenção”, explicou.

Fonte : TI INSIDE

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