Brasil vive rápida expansão no número de data centers

As perspectivas de crescimento da economia brasileira e do aumento da oferta de serviços terceirizados de TI colocam o País na rota de investimentos em data centers. O grande número de projetos para construção e ampliação dos centros de processamento de dados permite dizer, sem medo de errar, que o Brasil vive hoje a segunda grande onda do setor.

O primeiro movimento desse mercado, iniciado no final de 2000, tinha como principal objetivo atender o nascimento das empresas ‘pontocom’. Na época, foram instalados imensos IDCs (Internet Data Centers) no País, com o intuito de atender a uma expectativa de demanda gigantesca – que se concretizou apenas em parte – para hospedagem, gestão e manutenção de sites. Hoje, a tendência de construção e de expansão dos centros de processamento de dados está pautada em outra promessa do segmento de TI: cloud computing (computação em nuvem).

De carona na possibilidade de aproveitar as expectativas de aumento da demanda por serviços na nuvem, uma série de fornecedores divulgou investimentos na infraestrutura para suportar as ofertas. A IBM injetou 10 milhões de dólares na construção de mais um data center em Hortolândia, interior de São Paulo.

A Locaweb aplicou 111 milhões de reais na ampliação do seu centro de processamento de dados localizado na capital paulistana e a concorrente Alog vai destinar 50 milhões de reais para a expansão do seu terceiro centro. A lista ainda inclui o Uol, que acaba de inaugurar um prédio de oito andares para abrigar uma estrutura que, segundo a companhia, está entre as mais modernas do País.
E o movimento não para por aí. Durante visita ao Brasil, o CEO da Microsoft, Steve Ballmer, afirmou que a companhia analisa a instalação de um data center local para oferecer software como serviço. Não foi a primeira vez que a gigante demonstrou disposição para instalar esse tipo de operação no País.

A diferença agora está no fato de que o ambiente favoreceria a principal estratégia da fabricante, que é ampliar sua participação na área de serviços, por meio do modelo de cloud computing.

Na avaliação de Reinaldo Roveri, analista de mercado corporativo da consultoria IDC no Brasil, um dos fatores que tornam o País atraente para novos data centers é exatamente o potencial de crescimento da demanda por cloud computing. “Existem no Brasil 454 mil companhias com dez funcionários ou mais que não têm condições de comprar servidores, mas que poderão investir em software para processamento na nuvem”, justifica o analista. Ele constata ainda que a maior parte das pequenas e médias companhias que possuem domínio na internet não conta com um servidor de e-mail local e, por conta disso, representa um mercado a ser atacado pelos provedores de cloud.

Exportação de serviços

Além do mercado interno, outro fator contribui para o movimento de investimento em data centers no País: a possibilidade de, a partir do território nacional, exportar serviços para toda a América Latina. A Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) está entre as entidades que defendem essa bandeira. Para tanto, vai reunir associados para fazer um levantamento de como eles podem destacar-se no cenário internacional. “A ideia ainda está num estágio muito inicial”, explica o diretor de convergência digital da Brasscom, Nelson Wortsman.

Os próximos passos do projeto da entidade são a elaboração de um estudo para analisar as condições de infraestrutura, custos de fornecimento de energia e tributação, bem como buscar possíveis contrapartidas do Governo. “Se constatarmos que a energia é cara, podemos sugerir a construção de data centers em locais próximos das usinas hidrelétricas”, exemplifica Worstman, que ainda não tem uma data definida para encerrar os estudos.

De qualquer forma, o diretor da Brasscom acredita que o Brasil apresenta condições muito favoráveis para se tornar um polo de data centers na América Latina. “O País não tem fenômenos naturais, trabalha com energia limpa e está com uma economia estável”, enumera o executivo. Ele ressalta ainda que hoje o mercado internacional enxerga o País como um mercado atraente para os investidores.

Fonte: Computerworld

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