Contabilidade: a profissão em destaque

Tivemos um ano cheio de novidades em 2009. Mesmo com os efeitos da crise econômica e com a cautela dos investidores diante das incertezas dos cenários mundial e brasileiro, nós, profissionais Contabilistas, não sofremos impacto. Cada vez mais, nossa profissão ganha relevância junto às empresas e à sociedade. Voltamos para a essência de nossa atividade: prover informações gerenciais importantes às companhias e aos empresários e executivos.

Em 2010, esperamos ainda mais dinamismo. As projeções de crescimento do País, de analistas e do próprio Banco Central, preveem um PIB acima de 5%, puxado, principalmente pela indústria. E, em todos os setores, as análises seguem favoráveis. A nuvem de fumaça, que causava incerteza no cenário econômico brasileiro – e mundial – dissipou-se com os resultados de desempenho acima do esperado pela maioria das indústrias no Brasil.

E como o nosso País reagiu bem à crise, iniciada em 2008, despertou ainda mais o interesse das multinacionais. É aí que nós entramos, desempenhando um papel primordial nessas corporações. Mas antes, vamos voltar alguns passos e explicar o que aconteceu com nossa carreira, até alguns anos atrás.

O escopo primordial de nossa atuação foi um pouco ofuscado diante da necessidade, ao longo dos anos, de resolver as inúmeras obrigações acessórias – mas tão importantes quanto – para as empresas, como o Fisco, por exemplo. A difusão do Sped (Sistema Público de Escrituração Digital), com as notas fiscais eletrônicas, promoveu uma agilidade no dia a dia dos nossos profissionais, que antes não era possível.

Além disso, a Lei nº 11.638, aprovada em dezembro de 2007, exigiu um novo perfil do nosso profissional: visão crítica e conhecimentos técnicos aperfeiçoados em áreas como planejamento, gestão, finanças, tributária e societária. Por essa lei, as empresas de capital aberto, as sociedades anônimas de capital fechado e as limitadas com ativo superir a R$ 240 milhões ou faturamento bruto atual acima de R$ 300 milhões devem enquadrar-se às Normas Internacionais de Contabilidade.

Por isso, cabe a nós, Contabilistas, transformarmos as demonstrações contábeis em base para eficientes planos de gestão, garantindo, dessa forma, a sustentabilidade em um mercado cada vez mais competitivo. Por outro lado, esse processo promove oportunidades para o desenvolvimento de nossas carreiras, inclusive no exterior.

Para nós, essa transição tornou-se extremamente benéfica. Os próprios estudantes estão vendo isso, pois tem aumentado, ao longo dos meses, a procura pelo curso de Contabilidade. Esse movimento reflete a conscientização, por parte dos jovens, da importância dessa função e das inúmeras oportunidades no mercado de trabalho.

De acordo com uma pesquisa realizada no fim do ano passado pela Ricardo Xavier Recursos Humanos, Ciências Contábeis é a terceira profissão mais procurada pelas corporações contratantes. Perde apenas para Engenharia e Administração. E a pesquisa deixa claro que para os profissonais qualificados, certamente não faltarão vagas no mercado de trabalho brasileiro.

Isso porque cada vez mais, as empresas tomam consciência do poder de seus balanços contábeis, pois o mercado está atento ao fluxo de caixa das companhias. A Contabilidade transforma-se, então, em uma das ferramentas mais estratégicas, sendo, muitas vezes, o ponto de partida de grandes decisões.

E, desde seus primórdios, quando nossa profissão surgiu, ainda nos tempos do Mercantilismo, exercia uma função extremamente importante, pela necessidade de os comerciantes registrarem suas operações mercantis. Praticamente 600 anos mais tarde, nossa profissão volta a ter a atenção e importância que, de fato, merece. Desse modo, estamos muito felizes e prontos para nos postarmos definitivamente como peças-chaves no aconselhamento e gestão das empresas no presente e no futuro.
* Sergio Prado de Mello é Contador, especializado em Perícia Contábil, economista e advogado, presidiu o Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo – CRC SP na gestão 2008-2009 e atualmente é vice-presidente de Fiscalização, Ética e Disciplina do Conselho Federal de Contabilidade – CFC.

Fonte: Revista Incorporativa

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